Arquidiocese de Maceió celebra ordenação de cinco novos diáconos transitórios

“Nós não pregamos a nós mesmos, pregamos a Cristo Senhor”, enfatizou Dom Beto Breis descantando a centralidade de Cristo na vida sacerdotal e diaconal.

Por Carolina Azevedo | Jornalista colaboradora

(Fotos: Carlos Roberto)

A Arquidiocese de Maceió viveu, na última segunda-feira (11), um momento de profunda alegria e renovação vocacional com a ordenação de cinco novos diáconos transitórios. Receberam o primeiro grau do Sacramento da Ordem os seminaristas Denis Francisco de Menezes Melo, Felipe Harbson Maciel Lima, Macdowell Henrique David, Miguel Neto Gomes Pereira e Pedro Paulo de Oliveira Pimentel.

A Celebração Eucarística foi presidida por Dom Beto Breis, arcebispo de Maceió, com o rito da imposição das mãos e a Prece de Ordenação. Concelebraram sacerdotes da Arquidiocese de Maceió e das dioceses de Palmeira dos Índios, Penedo, Guanabara, Campina Grande e Palmares.

Familiares dos neos-diáconos, diáconos permanentes, religiosos, religiosas, seminaristas e numerosos fiéis participaram da celebração, marcada pela emoção e pelo espírito de serviço à Igreja.

O que é a ordenação diaconal transitória

A ordenação diaconal transitória é o primeiro grau do Sacramento da Ordem na Igreja Católica e representa a etapa que antecede o sacerdócio. Nela, o seminarista assume oficialmente o ministério do serviço, configurando-se a Cristo Servo.

Durante este período, que normalmente dura entre seis meses e um ano, os diáconos exercem funções ligadas à Palavra, à liturgia e à caridade. Entre suas atribuições estão proclamar o Evangelho, auxiliar nas celebrações eucarísticas, distribuir a comunhão, presidir batismos e funerais, além de assistir e abençoar os matrimônios.

A ordenação também marca importantes compromissos na vida do ministro ordenado, como o ingresso no estado clerical, a vivência do celibato e a fidelidade à Liturgia das Horas. Na celebração, os novos diáconos recebem a estola e a dalmática, vestes litúrgicas próprias do diaconato.

Fazer da vida uma diaconia

Durante a homilia, Dom Beto Breis destacou que o ministério ordenado deve ser vivido como expressão concreta do serviço e da entrega ao povo de Deus.

Segundo o arcebispo, a própria raiz da palavra “ministério” indica alguém que se coloca a serviço dos outros. “O diaconato é a expressão de Cristo servidor”, afirmou, lembrando que os diáconos são chamados a se configurar a Jesus no serviço, na humildade e na proximidade com as pessoas.

Ao refletir sobre as leituras proclamadas na celebração, Dom Beto recordou o exemplo de Barnabé e Paulo, enviados em meio a conflitos da Igreja primitiva para promover concórdia e unidade. “Arriscaram suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”, disse, relacionando essa entrega à missão dos ministros ordenados.

Inspirado na segunda leitura, o arcebispo também ressaltou que o ministério não é fruto de mérito pessoal, mas da misericórdia de Deus. “Nós não pregamos a nós mesmos, pregamos a Cristo Senhor”, enfatizou, destacando a centralidade de Cristo na vida sacerdotal e diaconal.

Em um dos momentos mais fortes da homilia, Dom Beto incentivou os novos diáconos e seminaristas a viverem uma Igreja “extrovertida”, menos autorreferencial e mais próxima das pessoas. “A diaconia é isso: sair de si e debruçar-se sobre o outro”, afirmou.

Ele destacou ainda que o verdadeiro testemunho cristão acontece nos gestos simples e humanos, refletindo a ternura de Jesus no cotidiano. “Quanto mais as pessoas olharem para vocês e sentirem a proximidade e a ternura de Jesus, mais vocês serão fiéis à sublime vocação”, declarou.

O arcebispo também recordou palavras recentes do Papa Leão ao Dicastério para o Clero, sobre a amizade com Cristo como fundamento espiritual do ministério ordenado: “O ministro ou será amigo do Senhor ou não será ministro”.

Ao concluir, Dom Beto exortou os novos diáconos a permanecerem sempre em formação, sem enxergar a ordenação como ponto de chegada. Citando Gonzaguinha, reforçou o chamado a serem “eternos aprendizes” no caminho do discipulado e da santidade.

Discipulado do coração para fora

Em entrevista, Dom Beto Breis também falou sobre o significado da ordenação dos cinco diáconos para a vida da Arquidiocese de Maceió.

“São cinco jovens que vêm percorrendo o caminho da formação inicial e agora se dispõem a servir à Igreja, fazendo da própria vida uma diaconia”, afirmou.

O arcebispo explicou ainda que os graus do ministério ordenado não devem ser entendidos como degraus de poder, mas como uma complementariedade marcada pelo serviço.

“A diaconia indica que eles devem ser sinal de Cristo servidor, imagem de Cristo servidor. E essa marca permanece por toda a vida, mesmo depois da ordenação sacerdotal”, destacou.

Dom Beto também retomou a necessidade de uma Igreja missionária e voltada para fora, em sintonia com as recentes reflexões do Papa Leão sobre a superação da autorreferencialidade.

“Uma Igreja extrovertida, voltada para fora, que se identifica a partir da missão de dar-se aos outros e do serviço”, concluiu.

(Fotos abaixo: Wandderlan Velozo)

Quem são os novos diáconos

Denis Francisco de Menezes Melo

Natural de Arapiraca, Denis Melo iniciou sua caminhada vocacional ainda na juventude, participando ativamente de grupos, missões e serviços litúrgicos da Igreja. Após anos de discernimento e formação no Seminário Arquidiocesano de Maceió, realiza atualmente seu ministério na Paróquia São Paulo Apóstolo, no Salvador Lyra, marcado pela alegria e pelo espírito de serviço.

Felipe Harbson Maciel Lima

Nascido em Maceió, Felipe Harbson Lima traz uma trajetória marcada pela fé vivida em família, pelo serviço pastoral e pelo acompanhamento vocacional. Formado em Engenharia Civil, decidiu posteriormente ingressar no seminário, onde amadureceu sua vocação sacerdotal. Hoje, exerce sua missão no Seminário São João XXIII e na Paróquia São Miguel, em Marechal Deodoro.

Macdowell Henrique David

Natural de São José da Laje e criado em Ibateguara, Macdowell Henrique David iniciou cedo sua participação na vida da Igreja, atuando como sacristão e integrante de grupos de oração e romarias. Após anos de discernimento e formação no seminário, segue sua caminhada ministerial na Paróquia São José, em sua cidade natal.

Miguel Neto Gomes Pereira

Nascido em Caruaru (PE) e criado em Maceió, Miguel Neto Pereira desenvolveu sua vocação a partir da vivência paroquial na Jatiúca, especialmente na catequese e na liturgia. Sua caminhada formativa foi marcada pelo discernimento sereno, experiências pastorais em diversas comunidades e também pela formação em Direito. Atualmente, exerce seu ministério na Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Maragogi.

Pedro Paulo de Oliveira Pimentel

Pedro Paulo Pimentel descobriu sua vocação durante a preparação para a Crisma, aprofundando sua fé no serviço litúrgico, nas missões e em ações de evangelização. Após ingressar no seminário em 2018 e concluir sua formação, segue sua caminhada pastoral na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em São Luís do Quitunde, vivendo seu ministério com serenidade e espírito de entrega.