Por Mariane Rodrigues | Pascom Arquidiocesana

A Arquidiocese de Maceió deu início, no último sábado (1º), ao Ano Sacerdotal Arquidiocesano durante celebração realizada na Catedral Metropolitana de Maceió. A programação foi marcada pela procissão do clero, abertura oficial do período comemorativo e pela ordenação presbiteral do diácono Allan Themistocles, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Beto Breis, OFM. O Ano Sacerdotal seguirá até 4 de agosto de 2027 e terá como tema a passagem bíblica: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração” (Jr 3,15).
A celebração teve início com uma caminhada dos sacerdotes, que saíram da sede do Movimento de Cursilhos de Cristandade, no bairro do Farol, em direção à Catedral Metropolitana, acompanhados pela Banda de Música da Polícia Militar de Alagoas. Em seguida, foi celebrada a Santa Missa, durante a qual ocorreu a ordenação presbiteral do diácono Allan Themistocles, pela imposição das mãos e prece de ordenação de Dom Beto Breis.
Durante a abertura do Ano Sacerdotal, o vigário-geral da Arquidiocese de Maceió e coordenador arquidiocesano da Comissão para o Ano Sacerdotal, padre José Elielton da Silva, apresentou os objetivos e as iniciativas que serão desenvolvidas ao longo do período.
Segundo ele, a proposta foi motivada por importantes marcos da vida da Igreja: os 240 anos do nascimento de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars; os 61 anos do decreto Presbyterorum Ordinis; os 35 anos da exortação apostólica Pastores Dabo Vobis; e o centenário de nascimento de Dom Edvaldo Gonçalves do Amaral.
Ainda de acordo com o sacerdote, o Ano Sacerdotal pretende reacender a alegria do sacerdócio, ampliar a conscientização dos fiéis sobre a importância dos padres e fortalecer a sensibilidade da Igreja em relação aos sacerdotes, especialmente aos que enfrentam dificuldades, aos idosos e aos que já partiram para a Casa do Pai.
Entre as ações previstas estão o resgate da oração composta por Dom Edvaldo — “Dai-nos, Senhor, os padres de que Alagoas precisa” —, a oração sacerdotal em todas as missas, uma coleta especial realizada nos dias 1º e 2 de agosto em favor dos sacerdotes, a peregrinação da imagem e da relíquia de São João Maria Vianney pelas foranias, a criação de um memorial para os padres falecidos, a aprovação do Estatuto do Clero, encontros de formação permanente, iniciativas para fortalecer a comunhão entre os presbíteros, a implantação da Casa do Clero e a publicação de livros sobre sacerdotes que marcaram a história da Arquidiocese de Maceió.
Reanimar a vocação sacerdotal
O arcebispo Dom Beto Breis explicou que o principal objetivo do Ano Sacerdotal é renovar a alegria e o entusiasmo pelo ministério presbiteral, fortalecendo continuamente a resposta ao chamado de Deus.
“O primeiro grande objetivo é reanimar, reacender em nós a alegria de viver o ministério presbiteral, o ministério sacerdotal, o dom da vocação. Um dia respondemos, dissemos sim ao Senhor, e Ele vai sempre renovando o chamado; nós também precisamos renovar a nossa resposta”, afirmou Dom Beto Breis.
O arcebispo destacou ainda que toda a Arquidiocese será convidada a viver um intenso tempo de oração pelas vocações sacerdotais.
“Queremos envolver toda a Arquidiocese num grande tempo de oração pelas vocações sacerdotais. A messe é grande e os operários são poucos. Que o Senhor desperte novas vocações e encontremos jovens generosos para responder ao seu chamado”, disse
Dom Beto Breis.
Outro objetivo apresentado pelo arcebispo é fortalecer o apoio aos seminários arquidiocesanos, responsáveis pela formação dos futuros sacerdotes, além de mobilizar os fiéis para a construção da Casa do Clero, destinada ao acolhimento de padres idosos e enfermos.
“Queremos envolver toda a Arquidiocese na manutenção das nossas casas de formação e também nessa obra que será a Casa do Clero, destinada a acolher e cuidar dos sacerdotes idosos e enfermos”, acrescentou Dom Beto Breis.
Emoção na ordenação presbiteral

Ordenado sacerdote durante a abertura do Ano Sacerdotal, o padre Allan Themistocles definiu o momento como uma graça concedida por Deus.
“É uma graça que Deus me concedeu e concedeu à Arquidiocese: mais um colaborador. Por misericórdia, Ele escolheu a mim para ser somado a este presbitério e servir à porção do povo de Deus. É uma emoção muito forte”, afirmou padre Allan Themistocles.
Ao falar sobre a missão que inicia, o novo sacerdote resumiu seu propósito:
“Agora é trabalhar, rezar e servir ao povo de Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo”, declarou padre Allan Themistocles.
Tempo de fraternidade e renovação
Para o padre José Elielton da Silva, o Ano Sacerdotal representa um tempo de renovação espiritual e de fortalecimento da fraternidade entre os presbíteros da Arquidiocese.
“É uma grande alegria viver plenamente este Ano Sacerdotal. Somos inseridos cada vez mais na espiritualidade do Cristo Bom Pastor”, destacou padre José Elielton da Silva.
O sacerdote ressaltou que uma das prioridades será olhar com maior atenção para os padres idosos, doentes ou que enfrentam momentos de sofrimento.
“Somos convidados a olhar de maneira toda especial para aqueles padres que estão mais sofridos, os idosos e os doentes. É também um momento de muita fraternidade”, afirmou padre José Elielton da Silva.
Segundo ele, a iniciativa busca reacender a chama da vocação sacerdotal ao longo da caminhada ministerial.
“Depois de vários anos de ministério, podemos ser tentados a deixar que a chama da vocação vá se apagando. Este momento é justamente para reacender essa chama e viver cada vez mais a espiritualidade do Bom Pastor. Rezem por todos nós”, pediu padre José Elielton da Silva.
Homilia: padres segundo o coração de Cristo
Durante a homilia da celebração, Dom Beto Breis recordou que o Ano Sacerdotal será um tempo especial de oração e compromisso em favor dos sacerdotes de que Alagoas necessita.
O arcebispo explicou que a proposta não está relacionada ao aumento do número de padres, mas à formação de sacerdotes profundamente configurados ao coração de Cristo, o Bom Pastor, capazes de amar, servir e doar a própria vida pelo rebanho.
Em sua reflexão, Dom Beto recordou os inúmeros testemunhos de santidade, dedicação pastoral e promoção da cultura presentes na história da Arquidiocese de Maceió. Também observou que, embora as falhas de um sacerdote costumem ganhar grande repercussão, a imensa maioria dos padres vive silenciosamente uma vida de entrega e serviço ao povo de Deus.
“Quando o padre comete uma falha, isso vira notícia rapidamente. Mas a imensa maioria se doa na seara do Senhor, serve no dia a dia e não vira manchete de jornal”, afirmou Dom Beto Breis.
O arcebispo também ressaltou que a vocação nasce sempre da iniciativa de Deus e da resposta livre da pessoa chamada.
“Vocação é iniciativa divina em resposta humana livre e decidida”, destacou Dom Beto Breis.
Dirigindo-se especialmente aos jovens, explicou que a pergunta mais importante não é se alguém deseja ser padre, mas se reconhece o chamado de Deus em sua vida.
“Não pergunte a um jovem se ele quer ser padre. A pergunta correta é: você sente o chamado de Deus?”, disse Dom Beto Breis.
Dom Beto reafirmou que o propósito do Ano Sacerdotal é renovar continuamente o dom da vocação, mantendo Cristo no centro da vida e da missão de cada sacerdote.
“Às vezes sentimos cansaço e somos tentados ao desânimo, mas é preciso sempre recordar: ‘Senhor, por causa da tua palavra, eu lançarei as redes’. Precisamos descentralizar-nos de nós mesmos para que Cristo seja o centro absoluto da nossa vida e missão”, concluiu Dom Beto Breis.
