Celebrando a vida de um Dom: fiéis se reúnem em missa especial pelos 60 anos de Dom Beto Breis

Familiares, membros do clero, seminaristas, religiosos, pastorais, grupos e movimentos participaram da missa em ação de graças pela comemoração do aniversário natalício de Dom Beto Breis, na Catedral Metropolitana de Maceió.

Por Carolina Azevedo – Pascom Arquidiocesana

(fotos: Sávio Gabriel | Pascom Arquidiocesana e Leiliane Alves – Comunicação CNLB)

Padres, seminaristas, coordenadores, membros dos diversos organismos da Igreja de Maceió e fiéis acolheram, ao som do clássico “Sou Bom Pastor”, da Irmã Míria T. Kolling, o homenageado da noite: V. Exa. Revma. Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM, durante a missa em ação de graças pela passagem de seu aniversário natalício, realizada na Catedral Metropolitana de Maceió, no feriado de 16 de setembro.

No início da celebração, Cônego Elison Silva, pároco da Catedral, já destacava a importância do momento com uma frase que aprendeu ainda no seminário: “O maior presente que recebemos é a vida e o maior pecado é não abrir o presente.”

E assim a celebração seguiu, com um tom afetuoso de quem não só abriu o presente como também nos fez participar disso e entrega a todos nós diariamente, numa “vida que se confunde com a missão”, como bem destacou o Vigário Geral da Arquidiocese de Maceió, Pe. José Elielton da Silva, ao falar de seu prebiterado.

Testemunhas de amor por aquela verdade que não pode ceder

 O dia em memória dos mártires São Cornélio e São Cipriano, Papa e Bispo, não poderia ser mais apropriado para reunir a Igreja na comemoração de um “pastor com cheiro de ovelhas”, como gostam de se referir a ele.

Com uma homilia-homenagem carregada de gratidão, reverência e carinho por Dom Beto Breis, Padre José Elielton insere a trajetória do bispo como “mais um tijolo nessa catedral de memórias” que é a igreja viva e atuante de Maceió.

Do mesmo modo, também não deixou de destacar a entrega constante e árdua na caminhada de um pastor: “um sofrimento de um apaixonado pela Igreja, que prefere sofrer a fazer sofrer”, e o objetivo pelo qual todos nós devemos estar atentos, parafraseando São João da Cruz ao lembrar que “no entardecer da vida seremos julgados pelo amor”.

Oportunamente celebrado em feriado estadual, o aniversário natalício de Dom Beto Breis consolidou o marco dos seus 60 anos, coisas que, como sabemos, não são coincidência, mas sim providência.

“Aos fiéis desta terra eu volto meus olhos; que eles estejam bem perto de mim!”

Não é de hoje que as pequenas, e até grandes, conveniências se destacam em sua trajetória por aqui. É possível ver isso na fala e no sentimento dos fiéis que fizeram questão de marcar presença, seja por meio físico na catedral ou em inúmeras postagens que movimentaram o perfil do bom pastor nas redes sociais durante todo o dia.

Parece realmente que o estávamos esperando de alguma forma e que agora, muitos respiram satisfeitos com uma promessa que foram alimentando ao longo do tempo.

Um bom exemplo disso é o testemunho de quem convive com esse exímio Frade Menor da Ordem Franciscana, cuja presença ativa, próxima e afetuosa se faz sentir nos serviços dedicados aos pobres em Maceió, que, em pouco mais de um ano de episcopado na capital, já coroou os pobres com um Palácio (nome dado ao maior abrigo a vulneráveis do Nordeste Brasileiro) inaugurado na antiga sede da Cúria Metropolitana.

A respeito dessa atuação, Frei Vicente da Fraternidade Casa de Ranquines destaca a atenção recebida por Dom Beto nos trabalhos da associação:

“Acho muito bonita essa postura de Dom Beto, um pastor jovem que busca estar próximo, entender a realidade da Igreja aqui em Maceió. Ele vive aquilo que o Papa Francisco pede: o pastor com o cheiro das ovelhas. Para nós, da Casa de Ranquines, foi uma alegria, porque ele trouxe abertura, proximidade e apoio ao nosso carisma de acolher os mais necessitados.”

“Nosso trabalho nessa abordagem que fazemos no Palácio dos Pobres começou na pandemia, em 2020, ainda com Dom Antônio, mas com Dom Beto aconteceu algo novo: ele levou esse acolhimento para dentro do Palácio Episcopal, que passou a ser chamado de “Palácio dos Pobres”. Isso foi um sinal forte de que a Igreja está com os pobres e que nós, como comunidade, não estamos sozinhos.”

“Dom Beto não esperou que os pobres viessem até ele, mas foi ele quem deu o primeiro passo, oferecendo o coração. Visitou nossas casas, conheceu de perto os trabalhos, e com isso conquistou a todos. Hoje o Palácio, que antes era apenas residência dos bispos, tornou-se símbolo de proximidade, de missão e de portas abertas para os mais necessitados.”

Emerson França, da Comunidade Coração Misericordioso, que realiza uma missão de resgate e acolhimento aos dependentes químicos, também destaca o carinho e proximidade do pastor com seus acolhidos:

“Dom Beto é uma grande graça para a nossa Igreja. O lema episcopal dele, ‘nasceu por nós no caminho’, já mostra esse pastoreio de proximidade, de alguém que escolheu se doar e estar à disposição do povo. Desde o primeiro momento em que tive contato com ele, lá na festa de Santo Amaro, em Paripueira, já percebi esse pastor próximo, acolhedor, sempre atento às suas ovelhas.

Depois tivemos também a alegria de contar com ele na celebração dos 11 anos da nossa comunidade. E aí a gente vai percebendo essa riqueza de um franciscano que, seguindo os passos de São Francisco de Assis, foi oferecendo a sua vida, e nessa entrega o Senhor o conduziu ao episcopado, trazendo-o para a nossa diocese como um presente.

Por isso, celebrar com ele esses 60 anos é uma alegria muito grande. Porque mais do que um arcebispo, nós vemos em Dom Beto um pai, um pastor, um amigo, um irmão que nasceu por nós.”

Nasceu por nós no caminho
O lema episcopal originado de um trecho de salmo feito por São Francisco de Assis para o tempo do natal apenas reforça tudo que é dito, sentido e vivido por quem convive com Dom Beto. Características como o despojamento, a proximidade e o encontro, sobretudo com os mais pobres e simples são pilares que parecem já ter nascido com o Arcebispo como relatam seus familiares:

“Para nós é um orgulho muito grande ver a vocação do nosso caçula florescer desse jeito. Desde pequeno ele já demonstrava esse chamado, colecionava santinhos e dizia que queria ser padre. Cortava rodela de banana e dizia que era hóstia, acredita? Mesmo quando foi difícil para o nosso pai aceitar, ele não desistiu e seguiu firme até o convento. Hoje vemos que ele realmente é um franciscano na essência, que escolheu estar onde o povo mais precisa. Isso enche a nossa família de alegria, porque sabemos que ele está no lugar certo, vivendo a missão que sempre sonhou.”

“Quando ele saiu de casa, ainda bem jovem, foi um misto de orgulho e saudade. Era o nosso caçulinha, foi o mais novo por 13 anos até nossos pais terem outro filho, e de repente foi morar longe para seguir a vocação. A gente sabia que esse era o sonho dele, porque desde pequeno dizia que queria ser padre,então a gente já sabia que ele ia ficar longe pra estudar, mas não sabia que ele ia tão longe.”

A família, que não compartilha somente os traços físicos como também a alegria e acolhimento do caçula, destaca bastante o gosto pelo nordeste e pelo povo nordestino, que conquistou o coração do pastor:

“Por termos morado no nordeste por 5 anos, a gente acaba se sentindo em casa também, então para nós é uma alegria estarmos aqui nesses momentos. Para nós, como família, é uma graça enorme saber que aquele menino simples, que colecionava santinhos, agora se tornou pastor de tanta gente, e um povo que ele escolheu por amor, por ver a necessidade do povo, sem nunca perder a humildade e a simplicidade.” relata com carinho, Lito Breis , irmão de Dom Beto.

O cunhado, Amauri, também relembra com alegria e admiração a trajetória do Arcebispo, a quem ele apoiou e acompanhou em momentos simples mas significativos desde o começo da caminhada:

“Eu acompanhei de perto a vocação dele desde cedo, antes até de pensar em ser cunhado. Ele participava dos terços, acompanhava as mulheres nas casas e foi nos encontros, como o Emaús em Jaraguá do Sul, que se encontrou ainda mais com esse chamado. A gente sabia da capacidade dele, mas nunca imaginava que chegaria a ser arcebispo. Por isso, cada vez que tem uma homenagem ou evento importante, fazemos questão de sair de Santa Catarina para prestigiar, porque é um orgulho enorme para toda a família.”

“O dom da palavra, a comunicação e a humildade sempre marcaram a vida dele. Para nós é uma alegria muito grande ver até onde a vocação o levou, e perceber que ele segue vivendo com simplicidade e dedicação aquilo que sonhou desde pequeno.”

Comunhão, bolo e confraternização encerraram a noite

Após a missa, o Salão da Catedral acolheu um momento festivo em homenagem a Dom Beto. Organizado pelo clero, em comunhão com grupos, movimentos e pastorais, o encontro contou com bolo, confraternização e muita alegria. Todos os presentes foram convidados a participar deste momento de descontração e carinho ao arcebispo.

Para Flávia Mendes, presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNLB), o trabalho coletivo foi visto como uma experiência de comunhão e pertença:

“Preparar essa celebração para Dom Beto é uma grande alegria, porque ele é um pastor que nos acolhe e merece todo esse carinho. As pessoas estão muito felizes com o seu modo de pastorear: simples, acolhedor e sempre disposto a escutar.”

“Ele é um verdadeiro ‘pastor com cheiro de ovelha’, que se mistura com o povo. Isso motiva movimentos, pastorais e leigos a permanecerem próximos e participativos.”