Mariane Rodrigues| Setor de Comunicação
Durante a sessão solene, estiveram presentes vereadores, sacerdotes, diáconos, comunidades e movimentos católicos, além de fiéis que foram ao local para prestigiar a cerimônia

“Recebo essa honraria como pastor de uma Arquidiocese viva e atuante nesta acolhedora cidade de Maceió.” Foi com bom humor, delicadeza, emoção e responsabilidade social que o arcebispo metropolitano de Maceió, Dom Beto Breis, recebeu o título de Cidadão Honorário de Maceió, em solenidade realizada na Câmara Municipal de Vereadores, nesta segunda-feira (6).

A proposta de concessão do título de Cidadão Honorário a Dom Beto Breis foi uma iniciativa do vereador Leonardo Dias e aprovada por unanimidade entre os parlamentares da Casa Legislativa. Durante a sessão solene, estiveram presentes vereadores, sacerdotes, diáconos, comunidades e movimentos católicos, além de fiéis que foram ao local para prestigiar a homenagem.

Em um discurso de pouco mais de 12 minutos, Dom Beto falou sobre o orgulho de se tornar o mais novo cidadão de Maceió.
“Sou consciente de que o título de Cidadão Honorário, para a pessoa homenageada, representa uma adoção oficial. O agraciado passa a ser um irmão, um conterrâneo, uma pessoa da terra, apesar de não ter nascido no local. Fico, portanto, imensamente feliz e honrado com essa distinção concedida”, discursou o arcebispo, ressaltando ainda que a homenagem a ele se estende a todo o povo de Deus e à Igreja missionária e samaritana que integra a Arquidiocese de Maceió.

Dom Beto relembrou sua trajetória desde sua cidade natal, São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina, registrando suas passagens pelo Ceará, Pernambuco e Bahia, até chegar a Maceió no final de 2023. Ao falar sobre suas origens e deslocamentos geográficos para cumprir sua missão como sacerdote, bispo e arcebispo, Dom Beto deu um toque de sensibilidade ao seu discurso, ressaltando que, mais do que o amor a uma cidade e suas estruturas físicas, o que impera mesmo é o sentimento que se constrói com aqueles que habitam o lugar.

“Creio que nós, na verdade, não amamos uma cidade. Não amamos um espaço físico geográfico. As construções humanas são rígidas, impermeáveis, até frias, e sujeitas a um arrefecimento. Não amamos um conjunto de edificações e vias. Amamos pessoas que percorrem suas ruas, habitam suas casas, rezam em suas igrejas, brincam e descansam em suas praças e orla. É com essas pessoas que estabelecemos relações de ternura e familiaridade. Amamos uma cidade porque nela vive quem amamos, que já nos cativou. Assim tenho Maceió – como dizia o poeta Milton Nascimento – no lado esquerdo do peito, dentro do coração, pois vislumbro, cotidianamente, como pastor, uma gente acolhedora, afetuosa, crente, que em pouco tempo me faz sentir em casa, com alegria”, discursou Dom Beto.
O arcebispo também citou a médica alagoana Nise da Silveira e o escritor alagoano Graciliano Ramos para falar sobre o seu sentimento por Maceió e por todos aqueles que o acolheram na capital alagoana. Dom Beto enfatizou ainda a importância de cultivar a responsabilidade social diante dos mais vulneráveis. Aproveitou o momento para expor sua preocupação e empatia com os moradores dos bairros afetados pela mineração e pediu às autoridades que trabalhem em prol de políticas públicas que garantam os direitos inalienáveis das populações, especialmente as que vivem nas grotas e periferias.

O título de Cidadão Honorário de Maceió é reservado para as pessoas que não nasceram na capital alagoana, mas prestam relevantes serviços à sociedade maceioense.
Para o vereador Leonardo Dias, Dom Beto é uma inspiração por estar próximo das pessoas e por se preocupar com os mais vulneráveis. “Dom Beto é uma inspiração para muita gente. É uma pessoa muito amável, amorosa e, sobretudo, presente. Ele é um bispo muito próximo do seu rebanho. E isso tem um efeito não somente dentro da Igreja, mas principalmente fora dela, formando pessoas jovens. […] E tem uma característica que eu acho fantástica, que é a preocupação genuína com os pobres, com as pessoas que precisam. […] Nada mais justo, na verdade, do que a gente fazer esse reconhecimento como uma forma de agradecimento por tudo que ele tem feito por nossa cidade”, afirmou o vereador.
A solenidade foi enriquecida com a apresentação do coro arquidiocesano e homenagens virtuais feitas por familiares e amigos de Dom Beto que não puderam comparecer à cerimônia.
Trajetória de Dom Beto
Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM, ou Dom Beto, como é carinhosamente chamado, é catarinense de São Francisco do Sul. Ele nasceu em 16 de setembro de 1965 e é frade menor franciscano desde a década de 1980. Ingressou na Província Franciscana da Imaculada Conceição, onde fez o noviciado, e depois se transferiu para a Província de Santo Antônio do Brasil, no Nordeste, onde emitiu a profissão religiosa como frade menor franciscano em 10 de janeiro de 1987.

Os estudos de Filosofia foram realizados no Instituto de Teologia do Recife (Iter) entre 1988 e 1989, e a Teologia foi cursada no Instituto Franciscano de Teologia de Olinda (IFTO), de 1990 a 1993. A ordenação presbiteral aconteceu em 20 de agosto de 1994.
Dom Beto licenciou-se ainda em Teologia Espiritual na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma, entre 2005 e 2007. No âmbito da sua ordem religiosa, desempenhou diversas funções, como mestre dos professos temporários; secretário provincial de formação e estudos; guardião e definidor provincial; vigário provincial; moderador da formação permanente; coordenador do serviço de formação da Conferência dos Frades Menores no Brasil; e ministro provincial da Província de Santo Antônio, com sede em Recife. Também desempenhou a função de pároco durante o ministério presbiteral.
A Catedral Metropolitana de Maceió abriu suas portas em 6 de janeiro de 2024 para acolher em solenidade
Dom Beto Breis, que tomou posse, naquele dia, como arcebispo coadjutor da Arquidiocese. Com a saída de Dom Antônio Muniz, acatada pelo Papa Francisco, Dom Beto Breis se tornou o novo arcebispo da Arquidiocese de Maceió em 3 de abril de 2024.
