Por Marcos Filipe | Jornalista

Na manhã deste domingo (16), a Arquidiocese de Maceió realizou o Jubileu das Pastorais Sociais, Movimentos, Serviços e Organismos, um grande encontro marcado por espiritualidade, reflexão e compromisso com os mais vulneráveis. O evento integrou a programação do Dia Mundial dos Pobres, celebrado pela Igreja em todo o mundo, e reuniu diversas pastorais e organismos sociais da Arquidiocese.
A programação teve início às 7h30 com a concentração no Palácio dos Pobres, centro da Cidade, onde a comunidade Fraternidade Ranquines da Casa São Vicente desenvolve ações de cuidado com pessoas em situação de vulnerabilidade. De lá, os participantes, conduzidos por diácono André Soares – coordenador das Pastorais Socicias, seguiram em caminhada até a Catedral Metropolitana, onde foi celebrada a Santa Missa por dom Genival Saraiva. Em seguida, houve palestra com o Padre Sérgio Ricardo sobre a Exortação Apostólica Dilecti Me do Papa Leão XIII, documento que aprofunda a compreensão da Igreja sobre a opção preferencial pelos pobres.
Entre os participantes, a presença das pastorais sociais deu o tom de comunhão e compromisso. Vilma Maria dos Santos, da Pastoral Carcerária, reforçou a missão de olhar para os encarcerados com compaixão e humanidade.
“Represento as mulheres encarceradas. A nossa pastoral é um serviço aos mais necessitados. O próprio Jesus disse: estive preso e vieste me visitar. Quem está lá é nosso irmão, é nossa irmã. Muitas vezes são pessoas desempregadas, negras, pobres, excluídas. Estão ali porque fazem parte de uma desconstrução social que ainda vivemos: será que todos têm emprego, casa, família estruturada, amor? O amor é de graça, mas é preciso querer ofertar. E quando olhamos para uma pessoa encarcerada, olhamos para o próximo. Que tiver pecado, que atire a primeira pedra.”
Ela destacou ainda que o Jubileu é um momento essencial: “A Igreja hoje volta seu olhar para os pobres. É um momento cheio de amor e responsabilidade com o social.”
Da Pastoral da Terra, Alexandra Timóteo lembrou que o Jubileu fortalece as lutas sociais e reafirma a presença da Igreja ao lado daqueles que sofrem. “Para nós, é um momento muito especial. O Jubileu das Pastorais Sociais junta tudo e celebra a esperança junto com o pobre.”

Durante o evento, Dom Genival Saraiva, destacou a importância da união entre movimentos e pastorais: “Este dia foi preparado com muito carinho. Logo cedo estivemos no Palácio dos Pobres, local oportuno para iniciar nossa peregrinação. Celebramos a Santa Missa e agradecemos às pastorais, aos serviços e a todos que constroem essa caminhada. Saúdo também a PASCOM, esse canal de evangelização que tanto ajuda na difusão da nossa missão.”
Responsável pela palestra do dia, o Padre Sérgio Ricardo destacou o ensinamento da Igreja sobre a opção preferencial pelos pobres, inspirada no Evangelho.

“A Exortação Dilecti Me nos recorda que essa opção não nasce de uma análise sociológica, mas do próprio Cristo. O pobre sofredor é uma extensão da carne sofredora de Jesus. Uma Igreja pobre para os pobres é aquela que enxerga Cristo em cada pessoa vulnerável.”
Para Julian Silva, novo coordenador da Pastoral da Criança, o encontro expressa o espírito de comunhão: “É um momento de alegria e partilha entre as pastorais sociais. Uma oportunidade de celebrar a unidade e estar em comunhão com todos os organismos sociais da Arquidiocese.”
Representando a Pastoral da Pessoa Idosa, Ana Barreto lembrou que o sofrimento hoje não é apenas material, mas também emocional. “Sentimos cada vez mais a necessidade de unir forças. Falta o amor de Cristo, falta o olhar carinhoso, o abraço, a união verdadeira. Cristo nos pede mãos dadas para servir a todos.”
Membro das CEBs, Raildo Ferreira destacou o compromisso missionário da comunidade: “Ser pobre é uma dinâmica de fé. Jesus fez a opção preferencial pelos pobres e nós também fazemos. É testemunhar o amor e a esperança que brotam do Coração de Jesus e caminhar juntos, como Maria, Mãe dos Prazeres.”
Representando a Cáritas Arquidiocesana, Abdizia Maria Alves Barros reforçou o chamado à missão: “O Jubileu nos lembra que ainda temos muito a fazer para dar vez e voz aos pobres. É muito significativo estar aqui no Dia Mundial dos Pobres, reafirmando que uma Igreja comprometida precisa caminhar ao lado dos que sofrem.”
