“Maria é feliz, prazerosa e bem-aventurada”: Dom Beto alerta contra falsas alegrias e aponta Maria como caminho para Cristo

Mariane Rodrigues| Setor de Comunicação

O arcebispo ressalta que Maria é o caminho para a esperança. “Nela, o filho de Deus se fez nosso irmão. Ela é a nova arca da aliança”

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

“A devoção à Nossa Senhora dos Prazeres nos recorda essa dimensão fundamental da vida cristã: a alegria”.  Em uma homilia de 20 minutos aos cerca de 20 mil fiéis presentes no Estacionamento do Jaraguá no dia da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres, o arcebispo metropolitano Dom Beto Breis convidou os cristãos a exercerem a alegria de Maria. Esse sentimento grandioso de quem pode confiar a vida no Cristo Senhor.

A Santa Missa presidida por Dom Beto finalizou a festa da Padroeira Nossa Senhora dos Prazeres, celebrada no dia 27 de agosto. Uma procissão, que saiu da Catedral Metropolitana de Maceió, arrastou uma multidão ao Estacionamento do Jaraguá para prestigiar a Celebração Eucarística.

Dom Beto interagiu com o público e, ambos, em coro, entoaram Maria como glória e honra do povo de Maceió. “Hoje, aqui no Jaraguá, nós cristãos católicos de Maceió, podemos olhar para a imagem da Virgem Maria, Senhora dos Prazeres, e dizermos dirigidos a ela: ‘Tu és a glória de Maceió, tu és a alegria das Alagoas, tu és a honra de nosso povo’”.

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

Na homilia, Dom Beto fez uma associação ao local escolhido para o encerramento das festividades, próximo ao Porto de Maceió, para explicitar que Jesus é o porto sagrado.

“Que bonito quando chegamos aqui, vendo os navios ancorados no porto. E nós cantando que Maria nos leva ao porto sagrado e o porto sagrado é Jesus”, explanou Dom Beto.

A festa de Nossa Senhora dos Prazeres em 2025 foi um evento especial. Este é o ano Jubilar. Por isso, o tema das celebrações: “Maria, Estrela da Esperança”, que coaduna com a mensagem do Jubileu: “Peregrinos de Esperança”.

Dom Beto ressalta que Maria é o caminho para a esperança. “Nela, o filho de Deus se fez nosso irmão. Ela é a nova arca da aliança. Quantos títulos belos podemos atribuir à Maria. De modo especial neste ano, celebrando o mistério que a linguagem não dá conta: de Deus que vem ao nosso encontro e se fez carne”.

Maria Cheia de Graça

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

Maria é a mãe das Alegrias. A cheia de graça, como dito pelo anjo quando elogia a mãe de Cristo. “O único elogio de um anjo em toda a bíblia. ‘Maria cheia de graça’. O anjo diz: ‘Alegra-te, cheia de graça’”, reforça o metropolita.

O arcebispo destaca a alegria especial de Maria. Os prazeres da Mãe de Deus alicerçados na certeza de que todos são amados pelo Pai e que nada afastará o homem do seu criador. A alegria é sustentada pelo poder da mãe em chamar o filho de Deus por “Meu filho”.

“Que alegria. Que prazer que Maria tinha no coração: poder se dirigir ao filho de Deus como o seu filho. E no evangelho, breve, mas muito denso e belo, escutamos que alguém se dirige a Jesus e elogia a sua mãe: ‘Bem -aventurada aquela que te gerou. Bem-aventurados os seios que te amamentaram’”, destacou Dom Beto.

O metropolita prossegue enfatizando para os milhares presentes de que “Maria é feliz, alegre, prazerosa e bem-aventurada”, porque o criador, na encarnação, fez-se criatura em seu seio.

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

“Veja que mistério. Aquele que é o pão dos anjos, o pão descido do céu, pequenino e frágil, amamentou no seio de Maria. O mistério da encarnação, do Deus que se faz carne, pequenino no nosso irmão, deve de fato nos encantar. Maria ensinou a andar aquele que é o caminho. Educou como mãe afetuosa aquele que é a sabedoria eterna. Não há alegria maior”, discorre o arcebispo.

E por isso, segundo Dom Beto, a devoção mariana deve estar amparada no sentimento sublime da alegria de quem encontra em Maria um modelo e caminho em direção a Cristo. E deve ser sustentada pela alegria de quem confia que Deus, por vezes, pode até silenciar, mas jamais abandona seus filhos.

“A devoção à Nossa Senhora dos Prazeres nos recorda essa dimensão fundamental da vida cristã: a alegria. Porque nada mais estranho do que alguém que se diz cristão, que professa a fé do mistério pascal, da vitória de Cristo sobre a morte, mas vive lamuriando, como um pessimista, um fatalista, como quem vive chupando limão o tempo todo”, considerou ele.

 

Alegria deve ser de dentro para fora

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

Dom Beto alerta aos fiéis para que cada um aflore a sua alegria vinda do fundo do coração e que esse sentimento não dependa dos fatores externos. A alegria, diz Dom Beto, brota da fé e da esperança. O arcebispo também pontuou que, mesmo nos momentos mais difíceis, os cristãos lembrem que a verdadeira alegria vem de Deus, o salvador.

“Maria viveu profundamente essa experiência da verdadeira alegria, do verdadeiro prazer. Por isso, ela, alegre e apressadamente, foi à Casa de Isabel para servir e dali proclamar: ‘Minha alma glorifica ao senhor, meu espírito exulta de Alegria em Deus, meu salvador’. Aí está a alegria”, enfatizou e acrescentou: “Por vezes, atravessamos tempos difíceis e nebulosos e muitas vezes somos tentados ao desânimo. Que nesses momentos, em que queremos arriar os braços, nos lembremos com Maria a verdadeira alegria em Deus, Salvador”.

A alegria, continua o metropolita, não deve ser servida e sentida por aspectos efêmeros e passageiros. Senão, não é alegria verdadeira. Como Papa Francisco lançou na bula deste ano jubilar: a esperança encontra Maria, mãe de Deus, pois ela é a testemunha mais elevada. Para Dom Beto, o dom da alegria vem de uma realidade mais perene e que, por vezes, é difícil, pois Maria também enfrentou suas dores e angústia.

“Mas ela nunca se desespera. Porque ela é encorada na certeza de que Deus não despreza os seus filhos. Essa esperança permite Maria de transcender e ultrapassar o aqui e agora até os pés da Cruz. E Naquele sábado santo, temos certeza que foi Maria que sustentou a frágil esperança dos discípulos. Temos que aprender com Maria, a sermos parecidos com ela. Toda devoção à Maria tem essa marca: eu quero ser parecido com Maria. Quero amar Jesus como Maria amou. Quero viver a verdadeira alegria. A alegria verdadeira em Deus salvador”.

 

“Vivemos no tempo de falsas alegrias e esperanças”

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

Dom Beto enfatizou ainda que a escola do verdadeiro prazer estar na alegria de servir, de apoiar-se em Deus. “Podemos dizer que vivemos no tempo de falsas alegrias, efêmeras, perigosas, um vazio muito grande”, pontuou ele. O arcebispo lembra que muitos, nos tempos atuais, se decepcionam, se desiludem e se frustram porque colocam suas esperanças e se apoiam nas realidades deste mundo.

“Todos os males de todos os tempos encontram-se na ilusória esperança fincada nas realidades desse mundo, naquilo que passa, naquilo que não é para sempre”.

Dom Beto demonstra preocupação naquele que não olha para além de si. Ele cita Santo Agostinho, quando definiu o que é ser o homem pecador: é aquele encurvado sobre si mesmo.

Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.
Celebração Eucarística de encerramento da festa da Padroeira de Maceió, Nossa Senhora dos Prazeres. Foto: Carlos Wilker.

“Quem não olha além, quem não finca sua esperança além, quem fica encurvado em si mesmo nunca será feliz e vai precisar de recursos, de apelos para ter efêmeras e passageiras alegrias. Alegrias que passam rápido”, destacou.

Ele cita como exemplo aqueles que usam da política – em sua mais sublime forma de caridade – para fazer conchavo e como fonte de benefício pessoal.

“E a corrupção se alastra como pandemia, inclusive na igreja, de forma assustadora e deprimente. Sem esperança em Cristo Jesus, a ganância cria ninho no coração oco vazio de sentido”.

As comunidades atingidas pela mineradora Braskem, em Maceió, foram citadas por Dom Beto como exemplos das consequências de uma “humanidade mendicante de sentido”.

“Aqui, junto ao mar, junto a este porto, recordamos Maria, Estrela do mar. Estela Maris, Estrela da Esperança. Que título expressivo da esperança segura. Porque nas tempestades, nas vicissitudes da vida, a Mãe de Deus vem em nosso auxílio. Maria hoje nos convida a não só esperar. A esperançar. Aquele que ela trouxe ao mundo, podem ter certeza, é a esperança que não decepciona. Não deixemos que essa fé seja apenas como um verniz em nossos corações, que não penetra. Mas que penetrando em nós, por onde peregrinarmos, por onde caminharmos, sejamos peregrinos de esperança”, finalizou Dom Beto.