“Na Eucaristia, Deus não nos dá algo, Ele nos dá a si mesmo”, afirma cônego Elison Silva na Missa de Corpus Cristi

Solenidade na Catedral reuniu o clero arquidiocesano e movimentos

Por Thiago Aquino/Pascom Arquidiocesana

Solenida de Corpus Cristi (Fotos: Lívia Pascoal/Pascom Arquidiocesana)

A solenidade de Corpus Christi levou centenas de fiéis à Catedral Metropolitana Nossa Senhora dos Prazeres, em Maceió, nesta quinta-feira (4) para celebrar a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Depois da celebração, a adoração ao Santíssimo Sacramento seguiu até às 16h. 

Durante a homilia, o reitor da Catedral, cônego Elison Silva, destacou que a data ocupa um lugar central na fé católica por recordar o maior dos mistérios da Igreja. “Hoje a Igreja se ajoelha diante do maior dos mistérios: a Eucaristia. Não celebramos uma ideia, lembrança, nem mesmo um símbolo. Celebramos uma presença sacramental real, verdadeira”, afirmou.

O sacerdote ressaltou que a festa de Corpus Christi é uma resposta da Igreja às palavras de Jesus proclamadas no Evangelho narrado por São João (6,51): “Eu sou o pão vivo descido do Céu”.

O alimento que sustenta a vida cristã

Ao refletir sobre o significado da Eucaristia, cônego Elison explicou que a vida cristã encontra sua força e sentido nesse sacramento. “Nós vivemos deste pão. Nossa vida tem sentido cada vez que nos alimentamos da Eucaristia”, declarou.

Solenida de Corpus Cristi (Fotos: Lívia Pascoal/Pascom Arquidiocesana)

De acordo com ele, a comunhão com Cristo fortalece os fiéis para viverem a própria vocação e cumprirem sua missão no mundo. A missão evangelizadora da Igreja, acrescentou, nasce justamente da experiência do encontro com Jesus presente na Eucaristia. “A missão que somos chamados a realizar vem da força deste sacramento, desta presença de Jesus que nos sustenta”, disse.

Durante a homilia, o presidente da celebração recordou a experiência do povo de Israel no deserto, quando Deus concedeu o maná para sustentar a caminhada rumo à Terra Prometida. Ele destacou que a Eucaristia realiza algo ainda maior do que o ocorrido no Antigo Testamento.

“No Antigo Testamento, Deus alimentou Israel com o maná, que sustentava o corpo durante a travessia no deserto. Na Eucaristia Deus não nos dá algo, Ele nos dá a si mesmo”, afirmou.

O sacerdote explicou que comungar significa acolher um convite constante à transformação interior. Para ele, a Eucaristia não pode ser compreendida apenas como um ato de devoção individual, mas como uma experiência concreta de renovação da vida. “Cada comunhão recebida com fé nos torna mais semelhantes a Cristo e, por causa dele, mais capazes de amar, perdoar e servir”, destacou.

Comunhão que gera unidade e serviço

Outro aspecto enfatizado pelo reitor foi a dimensão comunitária da Eucaristia. Segundo ele, ao participarem do mesmo pão e do mesmo cálice, os cristãos são chamados a formar um único corpo em Cristo.

Solenida de Corpus Cristi (Fotos: Lívia Pascoal/Pascom Arquidiocesana)

“Essa unidade explicou deve se manifestar no relacionamento com os irmãos e no compromisso com a caridade.Quem recebe o Corpo de Cristo compreende que pertence à Igreja e que, por isso, é chamado a abraçar todos os irmãos. Não existe verdadeira adoração eucarística sem caridade, como não existe comunhão sem unidade”, disse.

“O altar conduz necessariamente ao serviço, enquanto a hóstia consagrada ensina a lógica do dom e da entrega por amor”, acrescentou. 

Em outro momento da reflexão, o reitor destacou a humildade de Deus revelada no sacramento eucarístico. “A Eucaristia é a humildade de Deus. Na Eucaristia Deus se faz alimento para a nossa fome. Ele não impõe, não faz espetáculo, não grita, mas espera silenciosamente nos sacrários do mundo”, afirmou.

Uma janela aberta para a eternidade

Ao concluir a homilia, cônego Elison afirmou que a Eucaristia também aponta para a esperança da vida eterna. “Nela encontramos tudo: o memorial da cruz, a presença do ressuscitado, o alimento que sustenta os peregrinos e a antecipação do céu. Toda Missa é uma janela aberta para a eternidade”, destacou.

“Que esta festa renove em nós o desejo de testemunhar, na alegria do Evangelho, que Jesus está vivo, caminha conosco e é alimento e sustento da nossa vida”, concluiu.

Adoração ao Santíssimo

Após a Missa, foi iniciada a adoração ao Santíssimo Sacramento conduzida pelo padre Márcio Manual, reitor do Seminário Arquidiocesano e diretor espiritual do Apostolado da Oração. Simultaneamente, também houve Missa na Reitoria Igreja do Rosário, o santuário eucarístico ao meio-dia. A adoração seguiu até o início da Procissão de Corpus Christi.