Mariane Rodrigues| Setor de Comunicação
Campanha da Fraternidade foi tema de debate na Casa Legislativa, que contou com a presença de parlamentares e da sociedade civil

A Campanha da Fraternidade, criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi tema na segunda-feira (16) de sessão pública realizada na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).
O objetivo foi debater o tema deste ano: Fraternidade e Ecologia Integral. O Arcebispo Metropolitano de Maceió, Dom Beto Breis, compôs a mesa ao lado do Padre Cônego Elison Silva, que é membro da Equipe de Campanhas do Regional Nordeste 2; e do vigário-geral da Arquidiocese de Maceió, Padre Elielton da Silva.
A sessão pública foi uma iniciativa do deputado estadual Ronaldo Medeiros e contou com a presença de parlamentares municipais e estaduais, de membros do clero e de movimentos pastorais. Na ocasião, o Meio Ambiente foi o foco dos debates que envolveram também a sociedade civil.
A Campanha da Fraternidade foi criada em 1961 por três padres da Cáritas Brasileira, um dos organismos da CNBB, com o objetivo de arrecadar fundos para as atividades sociais da instituição. No ano seguinte, ela se estendeu para todo o Brasil para ser realizada no período Quaresmal.

Cada ano, a campanha promove um tema diferente. Em 2025, o tema foi “Fraternidade: ecologia integral”. Mas esta não é a primeira vez que o foco é o Meio Ambiente. Desde que foi criada, a Campanha da Fraternidade promoveu essa temática oito vezes.
Na Assembleia Legislativa, Dom Beto Breis destacou que, apesar de ter seu enfoque no período quaresmal, a Campanha da Fraternidade não se limita a esse tempo litúrgico. “É uma proposta de reflexão para todo o ano e, a partir daí, para toda a vida”, pontuou o arcebispo.
A Campanha da Fraternidade, destacou Dom Beto, possui uma proposta concreta porque motiva um coração convertido, convoca o cristão à mudança de vida, de pensamento, de consciência e de caminho.
“Há um convite para alargarmos o olhar e perceber que o pecado, com suas consequências, ameaça a vida como um todo. A campanha da Fraternidade tem objetivos permanentes. Primeiro, despertar o espírito comunitário cristão no povo de Deus, comprometendo em particular os cristãos em busca do bem comum. Depois educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do evangelho. Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária”, destacou o metropolita.

Durante a sessão, Dom Beto fez menções às questões não só ambientais, mas também sociais, pois todas elas estão interligadas. Ele citou documentos importantes da igreja que caminham em direção da busca pela justiça social e pelo respeito às criações de Deus, referindo-se à ecologia.
Um deles foi a encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, sendo um pilar para a construção da doutrina social da igreja. Ele abordou também a primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco – a Evangelii Gaudium -, que ressalta a igreja como um instrumento de evangelização, em saída, que chega em todos os lugares, e até mesmo nas periferias existenciais.
“Não dá para separar o anúncio do evangelho do compromisso com a vida humana, com a afirmação da dignidade humana e do cuidado com a criação”, enfatizou Dom Beto.
Sendo mais enfático com o Meio Ambiente, Papa Francisco publicou há dez anos a encíclica Laudato Si. Ele coloca a Terra como a Casa Comum, aquela que foi dada por Deus na criação das suas obras, para contemplá-las e utilizar os seus recursos com responsabilidade, cuidado e amor.

Papa Francisco começa o documento com trechos dos cânticos de São Francisco de Assis, que comparou a Terra como ‘nossa mãe’, que nos acolhe, e como ‘nossa irmã’, com quem partilhamos a existência.
“Percebe-se que é uma preocupação que tem muito a ver com a nossa fé, no Deus que se fez carne. O Papa Francisco lembrava: ‘Ou mudamos, convertemos ou provocaremos com nossas atitudes individuais e coletivas um colapso planetário.’ Já estamos experimentando o seu prenúncio nas grandes catástrofes que assola o nosso país e não existe planeta reserva. Só temos este. ‘Embora ele viva sem nós, nós não vivemos sem esse planeta’”, destacou Dom Beto, citando Papa Francisco.
O Padre Cônego Elison Silva destacou os pontos centrais defendidos pela Campanha da Fraternidade. Um deles é o de desenvolver audiências públicas e realizar debates sobre a grave crise climática.

“Existe uma urgência de uma alteração profunda dos nossos modos de vida e o detalhe que não é para ser esquecido: o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. Deve-se pensar ainda nas vítimas dos conflitos socioambientais, porque não é cuidar só do mundo sem pensar na pessoa que vive e que faz parte deste mundo”, explanou Padre Cônego Elison.

O vigário-geral da Arquidiocese, Padre José Elielton, enfatizou em sua fala a preocupação com o problema da aporofobia e arquitetura hostil nas cidades, que é um tema ligado ao Meio Ambiente e se relaciona às questões sociais. Os problemas decorrentes do afundamento do solo em Maceió também não passaram despercebidos, sendo este um episódio traumático e que atingiu contextos socioambientais de forma direta na capital alagoana.

Os debates foram enriquecidos ainda com as palavras do professor de Bioética e Filosofia do Instituto Federal de Alagoas, campus Batalha, Cosme Rogério Ferreira, que também é um animador do movimento Laudato Si, na diocese de Palmeira dos Índios.
“A partir da minha experiência de vida e também da experiência espiritual, a partir dos estudos da Laudato Si, Papa Francisco me fez ver que a minha relação com o local, com o meu lugar, era uma relação com Deus, uma relação essencialmente com Deus.”
