Novo Juvenópolis resgata missão original de acolher crianças e adolescentes em Maceió

Mariane Rodrigues| Setor de Comunicação

Juvenópolis renasce com novo estatuto e passa a ser administrado pelo movimento Focolares

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.

A aprovação do novo estatuto social do Juvenópolis selou o retorno da principal função da instituição arquidiocesana: acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade com ações voltadas para a arte, esporte, ensino e atendimentos de assistência social.


O estatuto social foi aprovado no último sábado, 13 de setembro, em assembleia presidida pelo arcebispo Dom Beto Breis, que contou com a presença de 60 membros do movimento Focolares.

Ficou aprovado em assembleia que a Casa localizada no Bebedouro, em Maceió, será administrada pelo movimento Focolares, uma iniciativa de Dom Beto Breis e aceita por unanimidade entre os membros.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.


“Eu creio que esses irmãos e irmãs do movimento, nessa chama ardente de amor por Cristo, da confiança inabalável na providência de Deus e, ao mesmo tempo, no princípio fundamental da caridade, vão cuidar muito bem desse espaço. Eles irão garantir que as intuições originárias que estavam no coração do Padre Pinho e dos seus colaboradores vão ser, de fato, respeitadas. Aqui volta a ser, de fato, Juvenópolis, a casa da juventude, das crianças e adolescentes”, afirmou o arcebispo metropolitano, Dom Beto Breis.

A instituição também passa a se chamar Novo Juvenópolis, mantendo a identidade original do nome, mas concretizando a missão com novas ações a serem colocadas em prática.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.

A assembleia aprovou ainda a diretoria que irá administrar o Novo Juvenópolis, com a definição da presidência e dos novos conselheiros, que ficam à frente pelos próximos três anos.

Assim, ficou decidido que, até setembro de 2028, José Carlos Monteiro será o presidente do Conselho Administrativo e Soraya Cordeiro foi eleita a copresidente.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.

Os conselheiros administrativos definidos são: Carlos Gonzaga da Fonseca, Maria Aparecida Paciência Torres Gomes, Maria Amara de Siqueira Verçosa de Arruda, Cleonice Silveira e o padre Valdier José da Paixão Souza.

O Conselho Fiscal é composto por Rogério Tenório Gameleira, Jerson Assis de Lima e José Cláudio Barbosa Lopes.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.


José Carlos Monteiro destaca que o carisma do movimento Focolares – que foca na unidade e fraternidade universal – será a base para as ações que serão aplicadas no Novo Juvenópolis.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.


“O movimento Focolares tem tudo a ver com o Novo Juvenópolis. Queremos oferecer o nosso carisma para a Igreja, que é o carisma de Jesus. Foi Jesus que disse: ‘Pai, que todos sejam um’. É uma frase que revitaliza a unidade nesse mundo em que a gente vê tantas guerras e tantas diferenças sociais. A gente quer esse carisma não só para o Juvenópolis, mas também para toda a Arquidiocese. Somos diferentes, mas Cristo nos une”, afirma o novo presidente.

De acordo com o coordenador dos Focolares em Alagoas, Apolônio Carvalho, o sentimento é de gratidão em ver o movimento à frente de uma instituição como o Novo Juvenópolis, que é uma entidade da Arquidiocese de Maceió.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.


“Para nós, antes de tudo, é uma grandíssima gratidão a Dom Beto pela confiança que ele teve no movimento Focolares. Para nós, representa uma proximidade maior com a Igreja, porque nós estaremos à frente de uma obra social que é da Arquidiocese, não é uma obra social do movimento dos Focolares. Vamos poder dar nossa contribuição levando para a frente essa obra social que é de grande importância e com um histórico de 75 anos, que teve um auge de grande atuação e que agora está precisando renascer”, afirmou o coordenador do movimento Focolares.

O Juvenópolis foi criado na década de 1950 pelo Padre João de Barros Pinho após doação do terreno em Bebedouro pela família Leão à Arquidiocese de Maceió. Naquele ano iniciava um sonho do padre missionário de prestar apoio a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, o que perdura até hoje, 75 anos depois.

Jovem Padre Pinho. Foto: Site História de Alagoas.
Jovem Padre Pinho. Foto: Site História de Alagoas.


Com o Juvenópolis, Padre Pinho despertou na comunidade um espírito evangelizador, missionário e também social. Esse conjunto de ações movido pelo sacerdote era uma herança de um dos períodos de maior ativismo da Arquidiocese de Maceió, trazida nos anos 1940 pelo então arcebispo metropolitano de Maceió, Dom Ranulpho, e pelo Padre Adelmo Machado, que também se tornou arcebispo anos depois.


Com a morte de Padre Pinho, a Arquidiocese confiou o Juvenópolis à administração dos Irmãos Maristas.

Com a morte de Padre Pinho, a Casa Juvenópolis foi administrada pelos irmãos Marista.
Com a morte de Padre Pinho, a Casa Juvenópolis foi administrada pelos irmãos Marista.


Décadas se passaram, e a instituição se transformou em uma comunidade terapêutica para pessoas em dependência química, função que não é mais vigente atualmente.


“Atualmente queremos oferecer a linha de ações do início, quando a Casa foi criada. Uma casa de acolhida, cuidado, proximidade, ternura, por meio das artes, dos esportes. Tirar os jovens da vulnerabilidade social, pensar na prevenção”, pontua Dom Beto Breis.


Ele ressaltou ainda que, ao desativar a comunidade terapêutica do Juvenópolis, o socorro às vítimas da dependência química será feito por meio da Fazenda da Esperança.


“Em breve iremos abrir uma comunidade terapêutica feminina em Santa Luzia do Norte. Não vamos abandonar esses projetos de tentar tirar as pessoas da violência, mas vamos fazê-lo por meio de projetos que de fato funcionem”, reforçou o metropolita.

Nos dias atuais, o Juvenópolis atende cerca de 150 crianças em situação de vulnerabilidade, com perspectivas de aumentar esse número. Os cuidados sociais se estendem também a um grupo de mães.

Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.
Assembleia aprovou novo estatuto do Juvenópolis. Foto: Suzana Lima.


O objetivo atual é ampliar as atividades nas áreas de esportes, das artes, da profissionalização para os jovens e na reestruturação de equipamentos ora desativados. Além disso, o foco será ampliar os cuidados também com a saúde dos atendidos pelo projeto social.


O novo presidente afirma que a entidade busca parcerias com o poder público para a assistência social e com as paróquias, empresários, colégios católicos e os próprios associados à instituição, que atualmente possui 82.


A Nota Fiscal Cidadã também é uma aliada para o desenvolvimento do projeto, em que cada consumidor pode ajudar como contribuinte. “A pessoa pode se inscrever e escolher o Juvenópolis como a entidade que quer ajudar. Tudo que comprar, vem uma parte dos impostos para o Juvenópolis”, destaca o novo presidente José Carlos Monteiro.


Outra opção de ajudar a entidade é o voluntariado por parte de profissionais, como médicos, dentistas, psicólogos, oferecendo seu tempo e seus serviços.


“Se você é pedagoga, se é um artista, pode vir aqui administrar cursos pequenos, médios, longos, com as crianças. A gente tem o espaço”, pontua Monteiro.

As crianças são atendidas no Juvenópolis, frequentando o local sempre nos contraturnos da escola. Metade delas comparece à casa pela manhã e as outras 75 à tarde. No local, elas têm acesso às atividades lúdicas e a todas as refeições do dia, além de lanches.

MOVIMENTO FOCOLARES

O Movimento dos Focolares nasceu em 1943, na cidade de Trento, no norte da Itália, em meio à Segunda Guerra Mundial. Sua fundadora foi Chiara Lubich, uma jovem professora que, no dia 7 de dezembro daquele ano, decidiu consagrar sua vida a Deus. Esse “sim” marcou o início de uma experiência espiritual que logo se expandiria para além das fronteiras de sua cidade.

No contexto da guerra, Chiara e suas primeiras companheiras buscavam respostas diante do sofrimento e da fragilidade da vida. Reunidas nos abrigos antiaéreos, começaram a ler e meditar o Evangelho, encontrando nele não apenas conforto, mas também um caminho concreto para viver a fé em meio ao caos.

Elas se perguntavam: “Existe algo que não passa, que nenhuma bomba pode destruir?”
A resposta que descobriram estava nas palavras de Jesus: Deus é amor. Essa certeza se tornou o alicerce do movimento e a inspiração para colocar o Evangelho em prática no cotidiano, especialmente por meio do amor recíproco e da unidade.

O ideal vivido por Chiara e suas companheiras atraiu pessoas de diferentes idades, culturas e vocações. Assim, nasceu o que hoje é conhecido como Movimento dos Focolares, cujo carisma central é a busca da unidade espiritual e entre todos os povos a partir da vivência concreta da fraternidade universal.