Santa Missa celebra os 50 anos da CPT no Brasil e encerra Encontro Estadual em Alagoas

Por Lara Tapety / Ascom CPT-AL

(Fotos- Lara Tapety/Ascom CPT)

Em celebração aos 50 anos da Comissão Pastoral da Terra no Brasil, a CPT Alagoas realizou uma Santa Missa no assentamento Flor do Bosque, em Messias (AL), no domingo (22), como encerramento do seu Encontro Estadual. A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Maceió, Dom Beto Breis, e reuniu camponeses, camponesas, agentes pastorais e representantes das pastorais sociais, organismos da Igreja Católica e movimentos sociais.

O momento de espiritualidade reafirmou a atuação da Pastoral da Terra enquanto projeto de Deus, tendo compromisso com os mais empobrecidos e com a justiça social.

“Neste ano Jubilar de toda a Igreja, temos também os 50 anos da Comissão Pastoral da Terra. Então, hoje, nesta eucaristia e toda missa em ação de graças, queremos louvar a Deus, porque nos proporciona a graça de termos em nossa Arquidiocese a CPT, que faz um bem tão grande em defesa da vida e do direito à terra”, afirmou Dom Beto na abertura da celebração.

Fé que se traduz em compromisso com a vida

A Santa Missa foi concelebrada pelos padres Diego Vanzetta, pároco da Paróquia Senhor Bom Jesus, de Matriz de Camaragibe, e Hamilton Barbosa, pároco da Paróquia São Sebastião, em Messias. Também participaram da celebração as Irmãs Vanda e Teresa, da Congregação das Irmãs de São José de Chambery, e Irmã Cícera Menezes, missionária franciscana e referência na luta camponesa em Alagoas.

As leituras bíblicas refletiram a espiritualidade que move a CPT. O texto do Levítico (25, 23-27) lembra que “a terra não pode ser vendida em caráter definitivo, pois a terra pertence a Deus”. Já a Carta de São Paulo aos Gálatas (3, 26-29) diz que “todos são um só em Jesus Cristo”, destacando o princípio da igualdade e da fraternidade.

Em sua homilia, Dom Beto lembrou que “a cada 25 anos nós somos chamados a celebrar mais profundamente a novidade do Evangelho. Deus veio morar no meio de nós. O Filho de Deus desceu e se fez um de nós, nosso irmão. No coração da nossa fé há uma certeza: não precisamos buscar a Deus. É Deus que toma a iniciativa. Deus vem ao nosso encontro”.

O arcebispo refletiu sobre o mistério de um Deus que, apesar de ser imenso, escolhe se fazer pequeno, frágil, pobre. Lembrou que Deus não veio ao mundo como poderoso, senhor ou rico. Ele sempre vem nos surpreendendo. “Aquele menino de Belém, que nasceu numa estrebaria, pequenino e frágil, como toda criança que acaba de nascer, foi colocado num cocho”, frisou.

Dom Beto também lembrou que o Papa Francisco pediu que o ano Jubilar fosse um ano de esperança. Alertou que vivemos tempos difíceis, de guerras, crises e desânimo, e que, muitas vezes, somos tentados a desanimar. “Mas nada mais contrário à nossa fé do que o desânimo, porque a Páscoa de Jesus, que é o mistério que nos salva, que nos dá a vida, passa pela cruz”, destacou.

Ainda no contexto do ano Jubilar, considerando que nada nos separa do amor de Cristo, sempre haverá esperança. “Essa é a esperança que não decepciona, que não desilude. Temos a certeza de que somos amados por Deus”, afirmou.

O arcebispo também reforçou que a nossa fé é, antes de tudo, uma afirmação da dignidade humana. Disse que quando Deus se faz gente, tudo que afeta a dignidade da pessoa humana afeta o próprio Deus. “Ninguém dá valor a ninguém, porque as pessoas já têm valor. O que fazemos é reconhecer, afirmar e lutar para que esse valor seja respeitado. Como disse São Paulo, somos todos filhos de Deus”, concluiu.

Ao falar sobre o sentido da CPT dentro da missão da Igreja, Dom Beto foi enfático: “Quando a Pastoral da Terra está numa região de conflito, apoiando, ajudando a organizar as famílias, é a Igreja que está ali. Essa é a beleza de todas as pastorais e serviços da Igreja”.

Clamor pela Casa Comum e pela justiça social

Durante as preces, a Irmã Vanda fez um forte apelo por uma conversão ecológica. Ela destacou que a criação geme pela ambição e pelo egoísmo humano, que coloca o lucro e o poder acima da vida, explorando de forma irresponsável os recursos naturais e as pessoas. Disse que o grito que ecoa da Casa Comum se une ao grito dos pobres diante da indiferença, da degradação ambiental, da crise climática e da perda da diversidade. “Por isso, Senhor, abre nosso coração para uma verdadeira conversão ecológica, que possamos mudar esse caminho de destruição e assumir o cuidado e a responsabilidade”, pediu.

Irmã Cícera também conduziu as preces da comunidade, pedindo que Deus, pelo sopro do Espírito Santo, reúna toda a Igreja para assumir sua missão profética, anunciando a verdade que liberta e denunciando as injustiças contra camponeses, ribeirinhos, sem-terra e todo povo sofrido do campo e da cidade.

Memória que inspira a caminhada

Ao final da missa, Carlos Lima, da coordenação nacional da CPT, conduziu um momento de memória em homenagem às missionárias e missionários que dedicaram suas vidas à luta em Alagoas e que hoje não estão mais presentes, seja porque fizeram sua páscoa, seja porque retornaram aos seus países de origem. Foram lembrados nomes como a Irmã Daniela (Itália), Irmã Rita (Bélgica) e Padre Andrés, já falecidos, além de Padre Leslie (Canadá) e Padre Alex Cauchi (Malta), que também marcaram profundamente a caminhada da CPT no estado.

Uma celebração que renova a esperança

O encerramento do Encontro Estadual da CPT, com a celebração da Santa Missa, foi mais que um ato religioso: foi um gesto de fé encarnada na luta pela terra, pela vida e pela justiça. Na voz dos presentes, nos cânticos, nas orações e numa grande ciranda, pulsava a certeza de que a CPT segue sendo presença, resistência e profecia.

Carlos Lima destacou que o encontro foi marcado pela escuta dos camponeses e camponesas, que reconheceram o quanto a atuação da CPT, da Igreja, foi determinante em suas vidas. Também observou que o encontro revelou uma mudança de mentalidades: “Camponeses e camponesas que antes não entendiam o processo de luta por reforma agrária, que inclusive, de forma preconceituosa, achavam que aqueles que estavam lutando estavam roubando a terra, tomam consciência de classe e de que a ‘terra a Deus pertence’ e, por isso, deve ser de todos e de todas, especialmente daqueles que querem trabalhar e cuidar da terra.”

“Eu diria que nós visitamos o trabalho, a missão da CPT em Alagoas que é estar junto a essas pessoas.”, concluiu Carlos.