Mariane Rodrigues| Setor Comunicação
A Santa Missa encerrou a programação jubilar e foi presidida pelo arcebispo Dom Beto Breis

“A palavra diácono significa diaconia, serviço. Eu não vim para ser servido, eu vim para servir”. É assim que o diácono Paulo Gomes define a missão dos diáconos dentro da Igreja e da comunidade. “O diácono é o homem do serviço da palavra, da liturgia e da caridade. Esse é o tripé da nossa missão”, complementa ele.
Diáconos permanentes e transitórios da Arquidiocese de Maceió e da Diocese de Penedo celebraram, nesse sábado (9), o Jubileu da Esperança. Eles se encontraram na Paróquia de São Gonçalo, no bairro do Farol, e saíram em peregrinação até a Igreja da Catedral Metropolitana de Maceió, no centro, acompanhados de familiares que compareceram para também celebrar o momento jubilar. A Santa Missa encerrou a programação e foi presidida pelo arcebispo Dom Beto Breis.

Uma palestra ministrada pelo diácono José Robson enriqueceu a programação. Ele falou sobre a história do Jubileu e a missão prestada por aqueles que aceitaram o chamado do diaconato, seja para se dedicarem ao serviço na igreja e na comunidade de maneira permanente, seja para seguirem a missão sacerdotal atendendo à vocação presbiteral.
“O jubileu é este momento tão sublime. É o mistério da encarnação, é o Deus que vem a nós, assume a nossa humanidade, é a retenção do Senhor. Deus que desce e que sobe, como diz Francisco de Assis. Celebrar com júbilo e com alegria este momento é para nós um momento assim todo especial”, afirmou Paulo Gomes, que representa os diáconos da Arquidiocese de Maceió.

Dom Beto Breis lembra que, neste ano jubilar, todos os cristãos são chamados a recordar que Deus se fez diácono, Deus se fez servidor. Para o arcebispo, o ministério diaconal está intrinsicamente ligado à dimensão da caridade, desde as suas origens. Por isso, afirmou ele, que os diáconos têm sido convidados a auxiliar a Arquidiocese em diversas iniciativas, obras e pastorais sociais.

“O ministério diaconal explicita que toda a igreja deve ser diaconal, serviço. E é um ministério muito belo, não é? Então, nesse ano jubilar, celebrando o jubileu dos diáconos, a gente quer render graças a Deus pelos diáconos que servem nossa Arquidiocese, nas mais diversas paróquias e comunidades, tanto no ministério da palavra, mas também no ministério da caridade”, pontuou Dom Beto.
São Lourenço, padroeiro dos diáconos

Na homilia, Dom Beto Breis citou São Lourenço, o padroeiro dos diáconos. Espanhol, ele viveu na metade do século terceiro e exerceu seu ministério durante o papado de Sisto II. Ele ficava responsável pelas ações caritativas da Igreja.
Conta a história, reforça Dom Beto, que durante o império de Valeriano, o imperador ordenou que todos os bispos, presbíteros e diáconos fossem condenados à morte. Lourenço foi preso, mas o imperador o deixou por último, pedindo a ele os “tesouros da igreja”.
“Lourenço pediu tempo, depois trouxe todos os doentes, os mais pobres assistidos pela Igreja e disse: ‘Aqui está o tesouro da Igreja’”, pontua Dom Beto.
São Lourenço foi queimado em uma grelha
“Nesse sentido, o papa São Leão lembrava de uma forma muito bela e com linguagem carregada de simbolismo. Ele dizia assim: ‘As chamas não devastaram a caridade de Cristo. O fogo que o queimava por fora era mais brando do que aquele que ardia por dentro’. Portanto, São Lourenço é exemplo dessa paixão por Cristo. Ardor até o martírio, até as últimas consequências”, completa Dom Beto.

O diácono José Robson, que palestrou aos colegas de ministério, considera que o diaconato surge diante das necessidades da comunidade. “Ele só tem sentido se for a serviço dessa comunidade”, afirma ele.
Levando em consideração a missão do diaconato e o tema do ano Jubilar – Peregrinos da Esperança – José Robson acredita que atender ao chamado do Jubileu significa estar em movimento, seguindo os passos de Jesus.
“Após o batismo, Jesus Cristo se colocou no caminho. Por onde passava, ensinava. Fez várias peregrinações à Jerusalém. A Igreja precisa e é sempre sinal para o caminho de salvação, que leva aos céus. Ser peregrino da esperança é aquele que caminha sem jamais desanimar, mesmo nas adversidades, porque a esperança e a presença de Deus em nossas vidas sempre nos acompanham. Por isso que nós caminhamos, porque temos esperança”.
Diáconos permanentes e transitórios

Se antes o diaconato era visto apenas como uma etapa transitória para chegar ao sacerdócio, o Concílio Vaticano II restabeleceu a missão permanente desse ministério.
Isso significa que a Igreja tem o diácono transitório, aquele que chega a esse ministério como preparação para a ordenação presbiteral; e tem também o diácono permanente, aquele que aceita o chamado do diaconato, mas que exerce esse serviço por toda vida.

Diferente do primeiro, que não constitui família e se dedica integralmente ao serviço sacerdotal, pois sua missão é tornar-se padre, é permitido ao diácono permanente ter a sua família.
Ao diácono, cabe a missão de prestar serviço da caridade, exercer a proclamação da Palavra e dar a assistência em alguns sacramentos, como o matrimônio e o batismo. Entretanto, ele não pode celebrar a Eucaristia e realizar confissões, por exemplo.

Lucas Cordeiro é diácono transitório. Sua ordenação ocorreu em abril de 2025. Ele esteve presente no Jubileu do Diácono e considera que esse foi um momento de fraternidade. “Temos que nos ajudar, nos apoiar, sustentar um a outro nesse caminho que é de serviço”.
Para cordeiro, o diaconato é um caminho de aprendizado. “O meu formador sempre falava: ‘Um passo mais para baixo, para que possamos servir, dobrar o joelho e servir irmão.’ Nesse sentido, viver o diaconato transitório é trazer para o coração a missão do serviço, que depois também vamos continuar na vida ministerial ordenada enquanto presbítero”.

Por outro lado, Inaldo Pita Gusmão, 78 anos, é um dos diáconos mais antigos da Arquidiocese de Maceió. São 25 anos de ordenação completados neste domingo (10). Ao celebrar o Jubileu na véspera de aniversário, ele resume o sentimento: satisfação.
“Estou satisfeito pelos meus 25 anos de diácono servindo a Arquidiocese de Maceió. Muito satisfeito mesmo, porque Deus já me deu tudo e hoje ele está cada dia, dando mais sabedoria e saúde para que eu continue nessa missão.”
























