“Eu vim para servir”: diáconos comemoram Jubileu reafirmando missão de caridade e evangelização

Mariane Rodrigues| Setor Comunicação

A Santa Missa encerrou a programação jubilar e foi presidida pelo arcebispo Dom Beto Breis

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

“A palavra diácono significa diaconia, serviço. Eu não vim para ser servido, eu vim para servir”. É assim que o diácono Paulo Gomes define a missão dos diáconos dentro da Igreja e da comunidade. “O diácono é o homem do serviço da palavra, da liturgia e da caridade. Esse é o tripé da nossa missão”, complementa ele.

Diáconos permanentes e transitórios da Arquidiocese de Maceió e da Diocese de Penedo celebraram, nesse sábado (9), o Jubileu da Esperança. Eles se encontraram na Paróquia de São Gonçalo, no bairro do Farol, e saíram em peregrinação até a Igreja da Catedral Metropolitana de Maceió, no centro, acompanhados de familiares que compareceram para também celebrar o momento jubilar. A Santa Missa encerrou a programação e foi presidida pelo arcebispo Dom Beto Breis.

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

Uma palestra ministrada pelo diácono José Robson enriqueceu a programação. Ele falou sobre a história do Jubileu e a missão prestada por aqueles que aceitaram o chamado do diaconato, seja para se dedicarem ao serviço na igreja e na comunidade de maneira permanente, seja para seguirem a missão sacerdotal atendendo à vocação presbiteral.

“O jubileu é este momento tão sublime. É o mistério da encarnação, é o Deus que vem a nós, assume a nossa humanidade, é a retenção do Senhor. Deus que desce e que sobe, como diz Francisco de Assis. Celebrar com júbilo e com alegria este momento é para nós um momento assim todo especial”, afirmou Paulo Gomes, que representa os diáconos da Arquidiocese de Maceió.

 

Diácono Paulo Gomes. Foto: Sávio Gabriel
Diácono Paulo Gomes. Foto: Sávio Gabriel

Dom Beto Breis lembra que, neste ano jubilar, todos os cristãos são chamados a recordar que Deus se fez diácono, Deus se fez servidor. Para o arcebispo, o ministério diaconal está intrinsicamente ligado à dimensão da caridade, desde as suas origens. Por isso, afirmou ele, que os diáconos têm sido convidados a auxiliar a Arquidiocese em diversas iniciativas, obras e pastorais sociais.

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

“O ministério diaconal explicita que toda a igreja deve ser diaconal, serviço. E é um ministério muito belo, não é? Então, nesse ano jubilar, celebrando o jubileu dos diáconos, a gente quer render graças a Deus pelos diáconos que servem nossa Arquidiocese, nas mais diversas paróquias e comunidades, tanto no ministério da palavra, mas também no ministério da caridade”, pontuou Dom Beto.

São Lourenço, padroeiro dos diáconos

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

Na homilia, Dom Beto Breis citou São Lourenço, o padroeiro dos diáconos. Espanhol, ele viveu na metade do século terceiro e exerceu seu ministério durante o papado de Sisto II. Ele ficava responsável pelas ações caritativas da Igreja.

Conta a história, reforça Dom Beto, que durante o império de Valeriano, o imperador ordenou que todos os bispos, presbíteros e diáconos fossem condenados à morte. Lourenço foi preso, mas o imperador o deixou por último, pedindo a ele os “tesouros da igreja”.

“Lourenço pediu tempo, depois trouxe todos os doentes, os mais pobres assistidos pela Igreja e disse: ‘Aqui está o tesouro da Igreja’”, pontua Dom Beto.

São Lourenço foi queimado em uma grelha

“Nesse sentido, o papa São Leão lembrava de uma forma muito bela e com linguagem carregada de simbolismo. Ele dizia assim: ‘As chamas não devastaram a caridade de Cristo. O fogo que o queimava por fora era mais brando do que aquele que ardia por dentro’. Portanto, São Lourenço é exemplo dessa paixão por Cristo. Ardor até o martírio, até as últimas consequências”, completa Dom Beto.

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

O diácono José Robson, que palestrou aos colegas de ministério, considera que o diaconato surge diante das necessidades da comunidade. “Ele só tem sentido se for a serviço dessa comunidade”, afirma ele.

Levando em consideração a missão do diaconato e o tema do ano Jubilar – Peregrinos da Esperança – José Robson acredita que atender ao chamado do Jubileu significa estar em movimento, seguindo os passos de Jesus.

“Após o batismo, Jesus Cristo se colocou no caminho. Por onde passava, ensinava. Fez várias peregrinações à Jerusalém. A Igreja precisa e é sempre sinal para o caminho de salvação, que leva aos céus. Ser peregrino da esperança é aquele que caminha sem jamais desanimar, mesmo nas adversidades, porque a esperança e a presença de Deus em nossas vidas sempre nos acompanham. Por isso que nós caminhamos, porque temos esperança”.

Diáconos permanentes e transitórios

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

Se antes o diaconato era visto apenas como uma etapa transitória para chegar ao sacerdócio, o Concílio Vaticano II restabeleceu a missão permanente desse ministério.

Isso significa que a Igreja tem o diácono transitório, aquele que chega a esse ministério como preparação para a ordenação presbiteral; e tem também o diácono permanente, aquele que aceita o chamado do diaconato, mas que exerce esse serviço por toda vida.

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.

Diferente do primeiro, que não constitui família e se dedica integralmente ao serviço sacerdotal, pois sua missão é tornar-se padre, é permitido ao diácono permanente ter a sua família.

Ao diácono, cabe a missão de prestar serviço da caridade, exercer a proclamação da Palavra e dar a assistência em alguns sacramentos, como o matrimônio e o batismo. Entretanto, ele não pode celebrar a Eucaristia e realizar confissões, por exemplo.

Jubileu dos Diáconos. Foto: Sávio Gabriel.
Diácono Lucas Cordeiro. Foto: Sávio Gabriel.

Lucas Cordeiro é diácono transitório. Sua ordenação ocorreu em abril de 2025. Ele esteve presente no Jubileu do Diácono e considera que esse foi um momento de fraternidade. “Temos que nos ajudar, nos apoiar, sustentar um a outro nesse caminho que é de serviço”.

Para cordeiro, o diaconato é um caminho de aprendizado. “O meu formador sempre falava: ‘Um passo mais para baixo, para que possamos servir, dobrar o joelho e servir irmão.’ Nesse sentido, viver o diaconato transitório é trazer para o coração a missão do serviço, que depois também vamos continuar na vida ministerial ordenada enquanto presbítero”.

 

Diácono Inaldo Pita. Foto: Rogério Teófilo Lins.
Diácono Inaldo Pita. Foto: Rogério Teófilo Lins.

Por outro lado, Inaldo Pita Gusmão, 78 anos, é um dos diáconos mais antigos da Arquidiocese de Maceió. São 25 anos de ordenação completados neste domingo (10). Ao celebrar o Jubileu na véspera de aniversário, ele resume o sentimento: satisfação.

“Estou satisfeito pelos meus 25 anos de diácono servindo a Arquidiocese de Maceió. Muito satisfeito mesmo, porque Deus já me deu tudo e hoje ele está cada dia, dando mais sabedoria e saúde para que eu continue nessa missão.”