Arquidiocese de Maceió cria ações para ampliar acessibilidade da comunidade surda

Mariane Rodrigues| Pascom Arquidiocesana

Curso de Libras e encontros pastorais fazem parte do planejamento da Pastoral do Surdo

Foto: Pascom Arquidiocesana.

No dia da Solenidade de Pentecostes, celebrada no dia 24 de maio deste ano, o público alagoano pôde acompanhar a celebração presencialmente, no estacionamento do Jaraguá, ou de casa, por meio de transmissão ao vivo no YouTube da Arquidiocese de Maceió. A execução da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para a população com deficiência auditiva garantiu acessibilidade, para que esse público não ficasse de fora da programação.

A acessibilidade para a população surda ainda é um desafio em várias camadas da sociedade. Para parte desse público, integrar-se aos eventos religiosos é um obstáculo que ainda precisa ser vencido. Algumas localidades já utilizam a Libras, de forma integral ou eventual, como um instrumento necessário de inclusão para promover a evangelização.

Foto: Pascom Arquidiocesana.

Por iniciativa do arcebispo da Arquidiocese de Maceió, Dom Beto Breis, a Pastoral do Surdo já entrou no cronograma de planejamento e execução da Igreja Particular de Maceió. À frente está o padre Ricardo Albuquerque, pároco da Paróquia São José Operário, no Trapiche da Barra, na capital alagoana.

Segundo o padre Ricardo, a Pastoral do Surdo em Maceió está focada em duas frentes principais. A primeira delas, explica ele, é preparar a Arquidiocese de Maceió para acolher a comunidade surda. Para isso, está sendo organizado um curso de Libras direcionado a catequistas, membros de movimentos e paroquianos. Eles estão sendo indicados para dar suporte de acessibilidade em suas comunidades. “Como nos ensina São Paulo em Romanos 10,14: ‘Como ouvirão, se não houver quem pregue?’. No caso dos surdos, precisamos pregar na língua deles”, pontuou o sacerdote.

A segunda frente é não só acolher os surdos católicos, mas também aqueles que buscam Deus e querem conhecer o catolicismo. “Queremos entender como está a caminhada de fé da comunidade surda. Acima de tudo, fazer com que o surdo seja verdadeiro protagonista da Pastoral, e não apenas um espectador”, explicou o padre Ricardo.

Foto: Pascom Arquidiocesana.

Na Solenidade de Pentecostes, esse projeto pôde ser visto na prática. Fazendo jus ao significado do dia — em que se celebrou a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, fazendo com que eles se entendessem em suas próprias línguas —, o evento promoveu a acessibilidade por meio da interpretação em Libras durante todo o encontro.

Ao todo, a equipe contou com seis intérpretes, que traduziram toda a solenidade das 7h30 às 19h. Para que tudo saísse dentro do programado, os intérpretes realizaram uma reunião online com a organização e, no dia anterior ao evento, foram ao local para alinhar os detalhes da acessibilidade visual. No dia da solenidade, os integrantes se revezaram a cada 20 minutos, para garantir o descanso necessário e a qualidade da tradução para a comunidade.

O padre Ricardo destaca a importância da Libras nas celebrações religiosas. Para ele, não pode haver barreiras para que a palavra de Deus chegue a quem precisa. “A estimativa é de que existam cerca de 120 mil pessoas com deficiência auditiva em todo o estado de Alagoas. Infelizmente, muitos estão afastados das nossas paróquias por falta de acessibilidade. Temos relatos tocantes de surdos que até vão à missa, mas saem de lá sem compreender o que foi vivido e pregado. A Palavra de Deus precisa alcançar a todos sem barreiras. Jesus nos deixou o mandato de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura (Marcos 16,15), e isso inclui, com muita prioridade, a comunidade surda”, observa ele.

Dentro do planejamento para a criação da Pastoral dos Surdos, uma reunião já está agendada para o mês de junho. Será um encontro de surdos católicos para uma roda de conversa sobre a Igreja e a acessibilidade. O objetivo é ouvir a realidade da comunidade para ter mais assertividade nas ações pastorais. O curso de Libras também já tem período estimado para começar: será em julho e acontecerá sempre aos sábados, das 9h às 12h. “É a colheita que já está começando”, comenta o pároco.

Ele agradeceu à equipe da Pastoral da Comunicação, que atuou em parceria com os intérpretes para que a difusão da palavra de Deus durante a Solenidade de Pentecostes fosse a mais ampla possível.

“Unindo as nossas pastorais, conseguimos romper barreiras e fazer com que a Palavra de Deus alcance a comunidade surda onde quer que ela esteja. Muito obrigado por caminharem juntos conosco nessa missão!”.