Mariane Rodrigues| Pascom Arquidiocesana
Mensagem de Pentecostes reforçou importância da unidade e da caridade cristã

O Espírito Santo não permanece onde há divisão, mentira, fofoca, intriga, rancor e disputa por poder, porque ele é fonte de comunhão. Esse foi um dos pontos abordados pelo arcebispo da Arquidiocese de Maceió, Dom Beto Breis, durante a homilia da Santa Missa em celebração ao dia de Pentecostes, realizada neste domingo (24), no Estacionamento do Jaraguá, em Maceió. Ele também alertou os fiéis para o pecado da indiferença diante do sofrimento humano.
Para falar da comunhão do Espírito Santo, Dom Beto lembrou da oração eucarística, quando é pedido ao Senhor que derrame seu Espírito para transformar pão e vinho no corpo e sangue de Cristo. Ele discorre que, depois da consagração, é pedido que o mesmo Espírito faça de todos um só corpo. “É o Espírito Santo do Senhor que gera essa unidade”, complementou ele.
Ele aproveitou a reflexão para lembrar que o Espírito Santo é o convite para a unidade, mas que é “triste” observar quando alguns grupos se separam, muitas vezes em meio à prepotência. “Onde há prepotência, não há espaço para a onipotência, que é o poder de Deus”, explanou ele.
Na Igreja, Dom Beto deixa o recado: um grupo não é melhor que o outro. E quem pensa dessa forma não entendeu o que disse Paulo na segunda leitura da liturgia de hoje: “Nós somos muitos, formamos um só corpo e o Espírito Santo transborda”.
Isso significa, explica Dom Beto, que o Espírito Santo é criativo e que aqueles que estão inseridos na Igreja, nas paróquias, nos movimentos, serviços e pastorais não são uniformes, são pluriformes.
“Porque o Espírito Santo suscita uma variedade. Como é bonito quando a gente respeita quem é diferente, quem exerce um serviço diferente na comunidade. A soma é sinal de maturidade na fé, é respeitar a diversidade que o próprio Espírito de Deus suscita”, expõe Dom Beto, criticando, ao mesmo tempo, quem acha que é o dono da verdade do Espírito Santo. “Quem pensa assim comete pecado contra o próprio Espírito Santo, que é criativo e transborda. Tem gente que quer colocar borda na ação do Espírito Santo”.
Onde há Espírito Santo, não há apatia e frieza
O fogo aceso pelo Espírito Santo é o amor de Jesus. Dom Beto explicita que onde está o Espírito Santo estão também a abertura e a docilidade. E onde ele está, não há apatia nem frieza espiritual e nas relações com os outros.
Para Dom Beto, é perigoso quando o homem se torna frio nas suas relações com o outro e é tomado pela indiferença diante da dor do próximo.
“A dor do outro não dói em mim. Onde há indiferença, não está o Espírito de Deus. Porque o dom maior do Espírito Santo não é o rezar em línguas, não é falar bonito, entusiasmado. O grande dom é a caridade, é o amor. E não há amor sem compaixão diante da dor do outro”, expõe Dom Beto Breis.
Ele aproveitou o momento para criticar os ataques que, por vezes, são dirigidos ao Papa e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil por ambos defenderem a ação social da Igreja. Para os críticos, ressalta Dom Beto, a Igreja tão somente deve estar voltada a “salvar almas”.
Dom Beto reforça que, evidentemente, a Igreja tem que “apontar para a esperança que vai além deste mundo”. No entanto, pondera ele, ela também deve ser movida pela esperança do agora, quando não encontra no discurso uma justificativa para o comodismo e a indiferença diante da dor do outro. “Isso é perigoso”, alertou ele.
O metropolita reforça que o Espírito Santo gera no homem o fogo, o calor, a paixão, mas também a compaixão.
“Geralmente quem fala assim [critica as ações sociais da Igreja] é quem está bem confortável na sua casa, com sua garagem. Porque quem passa fome, quem passa necessidade, quem vive nas grotas precárias, nos morros e inseguranças nos tempos de chuva sabe que precisa de uma Igreja que esteja ao seu lado”, defendeu Dom Beto.
Durante a homilia, Dom Beto contou a história de um soldado da Segunda Guerra Mundial para exemplificar a empatia e a compaixão pelo próximo e falar sobre o pecado da indiferença.
Ele conta que um soldado sentiu falta de um amigo que ainda não havia chegado do campo de guerra para o local de apoio. O soldado então foi até o comandante e informou que gostaria de retornar ao ponto de batalha para procurar o amigo. O comandante afirmou que aquilo era loucura e o proibiu, dizendo que, se o soldado fosse, iria se ferir ou morrer. Mas, movido pelo amor e amizade, o soldado desobedeceu ao comandante e foi em busca do amigo.
Tempos depois, o soldado voltou gravemente ferido, mas trazendo o amigo morto sobre os ombros. Quando o comandante viu, exclamou: “Eu falei que você ia perder tempo, que seria inútil, que ele estaria morto, que não adiantaria buscá-lo. Adiantou alguma coisa?”.
O jovem soldado então olhou para o comandante e disse: “Valeu a pena, sim. Porque, antes de morrer, ele olhou para mim e disse: ‘Eu sabia que você viria’”.
Ao citar o exemplo, Dom Beto enfatiza que, assim como o soldado que não se acomodou no seu local de apoio e saiu em busca de ajudar seu amigo, os cristãos também são chamados a serem missionários.
Ele afirma que a Igreja não é uma ONG piedosa ou entidade criada para que as pessoas se reúnam e se emocionem, mas lembra que o Espírito Santo gera comunhão e faz a Igreja nascer. “A Igreja nasce quando ela sai, rompe as portas fechadas e sai portando pelo mundo inteiro o dom do evangelho”.
O arcebispo exclama: “Há pessoas esperando por nós. Esperando pela nossa presença”, afirma, chamando os fiéis a saírem de seus “estacionamentos e portos seguros e estáveis” para serem uma Igreja missionária, em saída. “Não para trazer para o meu grupo, mas para facilitar o encontro com Jesus, porque ele é quem dá o Espírito Santo e a vida”, finalizou o metropolita.
