Corpus Christi: Dom Beto convida fiéis a viverem uma Espiritualidade Eucarística inspirada em São Francisco de Assis

“Precisamos passar de uma fé produzida para uma fé profunda”, pediu o arcebispo aos fiéis

Por: Thiago Aquino/Pascom Arrquidiocesana

Arcebispo presidiu a Missa de Corpus Cristi (Foto: Suzana Lima/Pascom Arquidiocesana)

O arcebispo metropolitano de Maceió, Dom Beto Breis, OFM, presidiu a Missa de encerramento da Solenidade de Corpus Cristi, na noite desta quinta-feira (4), na Praça Dom Pedro II. A multidão de fiéis participou da celebração após a tradicional procissão com o Santíssimo Sacramento sobre os tapetes confeccionados pela juventude. Vários padres da Arquidiocese de Maceió concelebraram.

A presença real de Jesus Cristo na Eucaristia foi o centro da reflexão conduzida pelo arcebispo. Inspirado nos escritos de São Francisco de Assis, cuja memória é destacada neste Ano Franciscano pelos 800 anos de seu trânsito, o religioso franciscano apresentou aos fiéis o olhar admirado do santo diante do Mistério Eucarístico.

Dom Beto recordou alguns escritos de São Francisco. “O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, tanto se humilha a ponto de esconder-se, pela nossa salvação, sob a módica forma de pão”, destacou. “As reflexões de São Francisco seguem uma linguagem de quem é encantado com esse mistério. De fato, a Eucaristia revela a sublime humildade de Deus, que escolhe permanecer entre os homens de maneira simples e acessível para alimentar espiritualmente seu povo”, disse.

Missa de Corpus Cristi aconteceu na Praça Dom Pedro II, no Centro (Foto: Suzana Lima/Pascom Arquidiocesana)

O arcebispo afirmou que somente o amor divino é capaz de explicar a Eucaristia. Para ele, assim como a Encarnação e a Redenção de Cristo, a presença de Jesus no Pão Consagrado é uma prova concreta do amor de Deus pela humanidade. “Às vezes somos tentados a duvidar de que somos amados por Deus. Só o amor de Deus explica a Eucaristia”, destacou.

Da devoção à Espiritualidade Eucarística

Ao refletir sobre a vida de São Francisco, o pregador lembrou que o santo cultivava profundo respeito pelo Santíssimo Sacramento e combatia atitudes de descuido em relação à Eucaristia. Em alguns lugares, relatou o arcebispo, Francisco chegava a limpar pessoalmente as igrejas por reconhecer que ali estava a presença de Cristo no sacrário.

O presidente da celebração afirmou que os cristãos são chamados a desenvolver uma verdadeira espiritualidade eucarística. “A devoção pode se limitar a gestos e práticas externas, enquanto a espiritualidade transforma o coração, orienta as escolhas e molda a vida do discípulo de Jesus. Mais do que uma devoção eucarística, como em São Francisco, devemos ter uma espiritualidade eucarística”, afirmou. 

A Eucaristia como projeto de vida

Durante a homilia, Dom Beto destacou que a celebração eucarística não pode permanecer restrita ao altar. Ele orientou que a espiritualidade alimentada pela comunhão deve se traduzir em atitudes concretas de entrega, serviço e amor ao próximo.

Arcebispo presidiu a Missa de Corpus Cristi (Foto: Suzana Lima/Pascom Arquidiocesana)

“No altar, o Filho de Deus se oferece, se doa, se entrega”, afirmou. Por isso, acrescentou, uma autêntica espiritualidade eucarística leva o cristão a fazer da Eucaristia um projeto de vida. “Da fórmula da consagração, devemos fazer uma fórmula de vida”, enfatizou, apontando esse compromisso como um dos grandes desafios da fé cristã.

Fé profunda, reverência e caridade

O metropolita também fez um convite à reflexão sobre a forma como os católicos participam da Missa. Ele lamentou que algumas pessoas demonstrem entusiasmo diante do ostensório durante as procissões, mas não dediquem a mesma atenção à Palavra de Deus e à Celebração Eucarística.

“Nossa fé não está no ostensório, mas na hóstia consagrada”, afirmou. O arcebispo ressaltou que, ao entrar numa igreja, o fiel deve dirigir-se primeiro ao sacrário para rezar diante de Jesus presente na Eucaristia. Para ele, é necessário passar de uma fé superficial para uma fé profunda, cultivada no coração.

Ao comentar a tradicional procissão de Corpus Christi, Dom Beto manifestou admiração pela multidão que acompanha o Santíssimo Sacramento. Ele ressaltou que trata-se da procissão mais autêntica da Igreja porque não leva uma imagem religiosa, mas o próprio Cristo presente na Eucaristia.

Arcebispo presidiu a Missa de Corpus Cristi (Foto: Manuela Ponciano/Pascom Arquidiocesana)

Humildade também ao comungar

Inspirado nos ensinamentos de São Francisco de Assis, o religioso franciscano pediu que os fiéis se aproximem da comunhão com humildade e reverência. Ele recordou que a Igreja prevê formas legítimas para receber a Eucaristia, nas mãos ou diretamente na boca, de pé ou ajoelhado, que todas devem ser respeitadas. “O importante é vir com humildade”, afirmou. 

Dom Beto ressaltou que é necessário zelo pelo sagrado, mas advertiu contra atitudes de rigidez excessiva e julgamentos precipitados. Sem citar nomes, criticou aqueles que se comportam como “fiscais de liturgia”, mais preocupados em apontar erros alheios do que em viver a própria fé.

Para ilustrar sua reflexão, questionou quem estaria mais distante do espírito cristão: uma pessoa simples que recebe Jesus com sinceridade, mesmo sem ampla formação religiosa, ou alguém que a ridiculariza por agir de forma diferente. Segundo ele, a verdadeira espiritualidade eucarística nasce do amor e da reverência, nunca da arrogância.

Ir à Missa por amor

Na parte final da homilia, Dom Antônio convidou os fiéis a refletirem sobre as motivações que os levam à celebração eucarística. Ele apontou que a participação na Missa não deve ser vista apenas como cumprimento de uma obrigação religiosa, mas como resposta de amor à presença de Cristo.

“Não devemos ir à Missa porque é um preceito, uma norma ou uma obrigação. Vou à Missa porque amo, creio e sinto necessidade”, afirmou. O arcebispo lamentou que algumas pessoas procurem apenas a celebração mais rápida ou encarem a participação dominical como uma tarefa a ser cumprida.

Dom Beto pediu ainda que os fiéis cultivem uma fé eucarística sincera e profunda, semelhante à de São Francisco de Assis: “Que o coração da gente nutra uma espiritualidade eucarística, um profundo amor ao Senhor. Sobre o altar está o Filho de Deus que continua a se oferecer à humanidade sob a humilde forma do pão”.