Caravana pela Ecologia Integral reúne representantes da Igreja, movimentos sociais e pessoas atingidas; agenda inclui audiência pública no dia 5 de novembro.
Por Ascom Cáritas Regional NE2

Bispos do Regional Nordeste 2 (NE2) e representantes da Comissão Especial para Ecologia Integral e Mineração (CEEM), agentes das pastorais sociais, organismos da Igreja Católica, movimentos sociais e pessoas atingidas chega a Maceió (AL), no dia 3 de novembro, para conhecer a realidade das comunidades afetadas pelo crime socioambiental da Braskem. A iniciativa integra a Caravana pela Ecologia Integral: Igreja e comunidades em diálogo sobre os impactos da mineração no Regional Nordeste 2, com programação até o dia 5 de novembro.
Entre os participantes estão Dom Vicente Ferreira, presidente da Comissão Especial para Ecologia Integral e Mineração (CEEM)- Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Dom Beto Breis, arcebispo de Maceió; Dom Limacêdo Antônio da Silva, bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira (PE); e Dom Gabriel Marchesi, bispo da Diocese de Floresta (PE). A caravana também é formada por representantes da Rede Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2 dos estados de Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e a Paraíba, da Cáritas Arquidiocesana de Maceió, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), além de organizações locais e lideranças comunitárias e da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB Regional Nordeste 2. A Caravana busca fortalecer a presença da Igreja junto às populações atingidas, promover a escuta de suas reivindicações e ampliar a articulação em defesa dos direitos humanos, da justiça socioambiental e da reparação integral.
“A Caravana pela Ecologia Integral chega a Maceió para fortalecer o diálogo entre a Igreja Católica e as comunidades atingidas pelo crime socioambiental da Braskem, reafirmando a importância da luta pela garantia de direitos e pela reparação integral. A programação tem como eixos fundamentais conhecer os territórios e escutar as pessoas atingidas, suas histórias e reivindicações. Ao final, a audiência pública será um espaço de incidência e compromisso coletivo diante desse crime socioambiental, que não afeta apenas as famílias diretamente atingidas, mas compromete todo um território, suas relações comunitárias e o direito à vida digna”, comenta Dom Beto Breis, arcebispo de Maceió.
Escuta nos territórios e incidência pública
No dia 4 de novembro, a comitiva visitará o Bom Parto, a Igreja Batista do Pinheiro e os Flexais, territórios marcados pelos impactos do afundamento do solo e pelo deslocamento de famílias. À tarde, das 14h às 17h, será realizado o momento de escuta Território, Memória, Direitos e Reparação, no Novo Juvenópolis.
A programação inclui ainda uma Celebração Eucarística, às 19h30, na Matriz provisória de Santo Antônio de Pádua, em Bebedouro,
No dia 5 de novembro, às 9h, a Caravana participará de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas, levando ao debate as demandas das comunidades atingidas e a urgência da garantia de direitos e da reparação integral. A expectativa é que a audiência resulte em proposições concretas e na construção de um documento que formalize compromissos públicos diante do crime socioambiental da Braskem, fortalecendo a responsabilização, a defesa da Casa Comum e os direitos das populações atingidas
“A Caravana reafirma o compromisso da Cáritas com a defesa da Casa Comum, dos direitos humanos e da justiça socioambiental. A partir do trabalho desenvolvido pela Cáritas Arquidiocesana de Maceió, que atua junto às comunidades atingidas, queremos fortalecer a escuta dos territórios e dar visibilidade às violações de direitos, contribuindo para a incidência pública e a luta por reparação integral. É um chamado à Igreja e à sociedade para que caminhem junto às populações atingidas, defendendo a vida, a dignidade e o direito das comunidades aos seus territórios” , comenta Neilda Pereira, secretária regional da Cáritas Brasileira NE2.
O crime socioambiental da Braskem
A mineração de sal-gema provocou o afundamento do solo em Maceió, atingindo os bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol. Milhares de imóveis foram desocupados, obrigando famílias a deixar suas casas e rompendo vínculos comunitários, meios de subsistência e referências culturais.
Nos Flexais, a desocupação do entorno agravou o isolamento socioeconômico e comprometeu as condições de vida da população. O cenário reforça a necessidade de uma reparação que considere não apenas as perdas materiais, mas também os danos sociais, culturais e comunitários, com participação efetiva das pessoas atingidas nas decisões sobre seus territórios.
SERVIÇO
Caravana pela Ecologia Integral: Igreja e comunidades em diálogo sobre os impactos da mineração no Regional Nordeste 2
Quando: 3 a 5 de novembro de 2026
Onde: Maceió (AL)
- 3/11 (terça-feira): chegada da comitiva em Maceió.
- 4/11 (quarta-feira): visitas Bom Parto, à Igreja Batista do Pinheiro e aos Flexais, das 8h30 às 12h45; momento de escuta, das 14h às 17h, no Novo Juvenópolis; Celebração Eucarística, às 19h30, na igreja matriz provisória, na Chã de Bebedouro.
- 5/11 (quinta-feira): audiência pública, às 8h30, na Assembleia Legislativa de Alagoas.
