Pentecostes: entre o porto e o mar, Dom Beto transforma Jaraguá em símbolo da caminhada cristã

Mariane Rodrigues| Pascom Arquidiocesana

Homilia reforçou que a Igreja não foi feita para permanecer acomodada

Santa Missa de Pentecostes. Foto: Lívia Pascoal.
Santa Missa de Pentecostes. Foto: Lívia Pascoal.

Realizada no Estacionamento do Jaraguá, em Maceió, a 43ª edição da Solenidade de Pentecostes foi encerrada, após mais de 10 horas de festa, com uma Santa Missa presidida pelo arcebispo da Arquidiocese de Maceió, Dom Beto Breis. O evento aconteceu neste domingo (24). Na homilia, Dom Beto fez uma singela relação entre o Jaraguá, a fé cristã e a missão da Igreja em saída.

Celebrada por muitos anos no Ginásio do Sesi, há dois anos a solenidade não pode acontecer no local que, em 2026, está em reforma. Nesta edição, cogitou-se realizar a Pentecostes no Rei Pelé, mas a impossibilidade de colocar cadeiras no campo não permitiu que a festa fosse celebrada no estádio.

Surgiu, então, a ideia de realizá-la no Jaraguá. Um espaço amplo, localizado no centro histórico de Maceió, ao lado do porto da capital, e carregado de simbolismos para a solenidade de Pentecostes, considerou Dom Beto.

Jaraguá, discorre o metropolita, é uma palavra originária da língua Tupi-Guarani, que significa “Vale do Senhor”. “Hoje, mais do que nunca, numa ocasião como essa, realiza-se um Jaraguá. Aqui é o Vale do Senhor, porque aqui nos reunimos na certeza de que ele está presente no meio de nós”, exclamou Dom Beto.

Dom Beto reflete que Pentecostes cumpre a promessa de Jesus de não abandonar o homem e de estar com ele para todo o sempre. “Até disse, antes de subir aos céus: ‘Eu estarei com vocês todos os dias’. E o Espírito Santo é a plenitude da Páscoa de Jesus. É a realização dessa promessa”.

Às 7h deste domingo, o Estacionamento do Jaraguá já estava tomado por fiéis que chegaram de todas as regiões de Alagoas. Parte deles em caravana. Eles estavam dispostos a enfrentar o dia inteiro, seja debaixo de sol ou de chuva, para rezar, celebrar, cantar e se encontrar, como pontuou o metropolita.

E foi sobre o estacionamento do Jaraguá — local destinado a estacionar veículos — que Dom Beto fez mais uma analogia com a fé cristã durante sua homilia. Para ele, escolher o estacionamento para a realização da solenidade de Pentecostes deixa aos fiéis da Arquidiocese de Maceió uma lição: “A gente não pode estacionar na vida. Quando uma pessoa é acomodada, estacionada na vida, apática, sem paixão, é porque ela não se deixa conduzir pelo Espírito de Deus, que é movimento, ação, que impulsiona, desloca, tira do lugar”, enfatizou o arcebispo.

O simbolismo continuou quando Dom Beto falou sobre o mar de Jaraguá, que é visto por quem está no estacionamento do Jaraguá. Ao lado, fica o porto que leva o mesmo nome. Dom Beto recorda que o mar faz lembrar o local do primeiro chamado dos primeiros discípulos de Jesus, a exemplo de Pedro, que era pescador.

“E nós também, aqui hoje, na força e na graça do Espírito Santo, somos chamados a reavivar a nossa resposta ao chamado de Deus, reavivar a nossa decisão de seguir Jesus, caminhar com ele”, reforça.

Ele pontua que, por vezes, ao longo do tempo, no exercício de um ministério, serviço, pastoral ou movimento, a ação do fiel vai esfriando. “Mas é preciso voltar às margens do mar da Galileia de cada um de nós para reavivarmos o dom da vocação. E é o Espírito Santo que nos ajuda”.

Por fim, ainda na homilia, Dom Beto reflete sobre o porto. Ele observa que, na entrada do Porto de Maceió, há uma âncora. E relata uma informação histórica segundo a qual a âncora, desde o primeiro século da Igreja, é considerada símbolo da esperança dos cristãos. Isso porque, conta ele, os cristãos à época, quando mortos, eram colocados em catacumbas subterrâneas onde eram enterrados. Lá, eles não podiam colocar cruzes para não serem identificados por causa das perseguições. “Eles então colocavam a âncora. Somos ancorados em Cristo. Ali está a nossa esperança”.

Mas a âncora não foi o único ponto de reflexão em se tratando do Porto de Maceió. Os navios também foram lembrados por Dom Beto Breis. Ele enfatiza que os navios, enquanto estão no porto, estão seguros. “Mas nenhum barco, nenhuma canoa e muito menos um navio foi feito para ficar no porto. Foi feito para singrar os mares, para partir, para sair”, comentou ele.

Assim como os navios, ele afirmou que os cristãos também não foram feitos para estacionar, ficar em seus “portos seguros” ou comodismos. “O Espírito Santo de Deus não nos deixa estacionar, acomodar, ficar quietos”, salientou.