Jovens em Maceió encontram em São Carlo Acutis um amigo e intercessor

Mariane Rodrigues| Setor de Comunicação

 O jovem foi proclamado Santo nesse domingo (7) pelo Papa Leão XIV, mas seus feitos, incluindo milagre no Brasil, foram reconhecidos no mundo inteiro alguns anos antes

Ana Beatriz Novais de Almeida Menezes é devota de São Carlo Acutis.
Ana Beatriz Novais de Almeida Menezes é devota de São Carlo Acutis.

“São Carlo Acutis é um Santo, mas também um amigo. É o meu intercessor”. O adolescente que morreu aos 15 anos de idade de leucemia em 2006 era um beato, quando Ana Beatriz Novais de Almeida, de 18 anos, começou a admirar e nutrir um sentimento de amor por ele. Assim como ela, muitos jovens encontraram no primeiro Santo millennial uma inspiração para caminhar em direção à Cristo. Em Maceió, uma comunidade deles externa sua devoção ao adolescente que ficou conhecido como o “influenciador de Deus”.

O jovem foi proclamado Santo nesse domingo (7) pelo Papa Leão XIV, mas seus feitos, incluindo milagre no Brasil, foram reconhecidos no mundo inteiro alguns anos antes.

Acutis nasceu em Londres em 1991, mas desde muito criança morou na Itália com seus pais, Antonia Salzano e Andrea Acutis, crescendo na metrópole italiana de Milão. Membro de família bem sucedida, São Carlo Acutis carregou na sua curta jornada pela terra uma vida desprovida de bens materiais e movida pela simplicidade, pela atenção aos mais pobres, e por uma busca insaciável pela graça de ser Santo. Essa busca era feita por uma rotina diária preenchida de orações, incluindo ao Santo Terço, à devoção Eucarística e à Nossa Senhora, e peregrinações a santuários e locais onde há registros de milagres.

Frases de São Carlo Acutis, muito difundidas pelo mundo, dão a dimensão da maturidade espiritual adquirida e praticada pelo jovem em vida terrena. Uma das mais conhecidas delas fala sobre o que, para Acutis, seria essencial pedir em oração. “A única coisa que nós temos que pedir a Deus na oração é a vontade de ser santos.” A outra, é quando o adolescente abordou a importância da Eucaristia em sua vida, considerando-a um meio de intimidade com Cristo. “Todos os dias vivo a Eucaristia como um diálogo constante com Jesus, como uma autêntica esperança. A Eucaristia é a minha autoestrada para o céu.”

Quando afetado pela Leucemia, São Carlo Acutis, ainda um adolescente, não se desesperou. Ao contrário disso, enfrentou a doença com a lucidez dos sábios e daqueles que sabem que em Deus encontra a verdadeira alegria. Assim ele disse: “Estou feliz em morrer, por que vivi minha vida sem perder nem mesmo um minuto dela com coisas que Deus não gosta.”

São Carlo Acutis na Catedral Metropolitana de Maceió. Gabriel Lima | Pascom Arquidiocesana
São Carlo Acutis na Catedral Metropolitana de Maceió. Gabriel Lima | Pascom Arquidiocesana

É com base nesse exemplo de vida e com o fato desse exemplo ter sido exercido por um adolescente que viveu nesta geração, que outros jovens cristãos têm se inspirado no novo Santo para também serem testemunhas e protagonistas da própria fé.

A exemplo de Ana Beatriz, frequentadora da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro do Feitosa, igreja que abriga uma relíquia de primeiro grau de São Carlo Acutis: fios de cabelo do novo santo. Ela conta que conhece e se interessa pela vida dos santos, mas não tinha devoção por algum em específico. Mas Carlo Acutis a escolheu, afirma ela.

“Através da vida dele, aprendi a cultivar cada vez mais o amor ao próximo, a caridade e o amor pela Eucaristia”, relata a jovem, acrescentando: “Sou jovem, e, por isso, a vida dele me inspira a persistir na fé, mesmo quando fraquejo. Carlo está comigo em todos os momentos. De alguma forma, consigo sentir sua companhia nos meus dias”, discorre Ana Beatriz.

Ana Beatriz Novais de Almeida Menezes é devota de São Carlo Acutis. Nas mãos, terço com foto do novo santo.
Ana Beatriz Novais de Almeida Menezes é devota de São Carlo Acutis. Nas mãos, terço com foto do novo santo.

A jovem diz que admira profundamente a forma como Jesus era o centro da vida de São Carlo Acutis. “Ele jamais deixou de evidenciar isso”, pontua ela, finalizando: “Vejo a intercessão de Carlo em minha vida em absolutamente todos os momentos. Sinto-me imensamente feliz pela canonização de um jovem do nosso milênio. É uma graça especial demais poder vivenciar isso.”

O pequeno Kauan Pietro, de apenas nove anos de idade, conheceu Carlo Acutis quando a relíquia chegou à Paróquia Nossa Senhora de Fátima pelas mãos do Padre Fábio Vieira, propagador da missão de Carlo Acutis no Brasil.

No dia da canonização de São Carlo Acutis, no último domingo, Pietro acordou às cinco horas da manhã para assistir o momento especial transmitido direto de Roma. “Com fé em Deus vou encontrar com ele no céu e vou falar do meu amor que tenho por ele”, disse o pequeno Kauan.

Maria Alice Alencar de 19 anos, pasconeira da paróquia Nossa Senhora das Dores, na Santa Lúcia, conheceu a história de São Carlo Acutis, em 4 de agosto de 2024, dia em que viu a relíquia do então beato, que esteve de passagem na Paróquia Imaculado Coração de Maria.

Bênção ao espaço que levará o nome de São Carlo Acutis, no Feitosa. Suzana Lima/ Pascom Arquidiocesana
Bênção ao espaço que levará o nome de São Carlo Acutis, no Feitosa. Suzana Lima/ Pascom Arquidiocesana

Um dia antes, procurei saber um pouco da sua história e, ao chegar lá, vi sua relíquia ao lado do altar.  Foi naquele dia que conheci Carlo. Quando eu mais precisava, ele foi uma ponte para que eu reencontrasse alguém de quem havia me afastado há muito tempo: Jesus”, relatou a jovem.

Ela atribui a São Carlo Acutis a graça de voltar à Igreja. “Minha sede pela Eucaristia cresceu e meu amor por Nossa Senhora se enraizou. Com o tempo, Carlo me conduziu até a Pastoral da Comunicação da paróquia Nossa Senhora das Dores. Fiz todo o processo de formação, participei do retiro, mas ainda me perguntava se era realmente ali que eu deveria estar”, prossegue ela em seu relato.

Foi no dia da missa de envio, prestes a entrar em procissão, que ela percebeu que no seu pescoço não estava o cordão, um artigo em lembrança a Carlo Acutis.

“Isso me deixou muito triste e pensei: ‘Justo hoje, na missa de envio da Pascom, ele não está comigo.’  Mas, no momento do rito da missa de envio, enquanto eu estava de frente para o altar, senti a presença de Carlo ao meu lado. Não sei como, mas soube que era ele. Ali, meu coração se acalmou e ele me confirmou que era exatamente ali que eu deveria estar, dizendo sim àquela missão”, ressaltou ela.

Ela também é uma das jovens que afirma: ‘Carlo me escolheu’. “Carlo entrou na minha vida e trouxe à tona o melhor dele, que despertou meu melhor lado”.

Assim como Ana Beatriz, Kauan Pietro e Maria Alice Alencar, José Victor Alves dos Santos, de 27 anos, afirma que foi escolhido por Carlo e que o novo santo se tornou seu “amigo no céu”.

“As pessoas me perguntam quando falo que ‘estamos juntos até no céu’. Aí eu falo que é porque a gente vai encontrar com os santos, com Deus e eu vou me encontrar com o Carlo”, expõe ele, e continua: “Costumo dizer porque o Carlo me escolheu”.

Bênção ao espaço que levará o nome de São Carlo Acutis, no Feitosa. Suzana Lima/ Pascom Arquidiocesana
José Victor com o padre Fábio Vieira, propagador da missão de Carlo Acutis.

José Victor lembra que, coincidentemente, antes de se tornar verdadeiramente devoto de Carlo Acutis, costumava ganhar dos amigos presentes e lembranças de artigos que remetiam o novo santo, como terços, camisas, livros e até uma estatueta trazida por uma amiga do Santuário Nossa Senhora de Aparecida.

Em 2020, no auge da pandemia, José Victor se viu em um momento delicado, com sintomas de ansiedade e sem emprego fixo. Aqueles que conseguia, não ficava por muito tempo. Foi numa live do Padre Fábio Vieira, pela madrugada daquele ano, que ele conheceu ainda mais a história de Carlo Acutis.

“Eu estava assustado, com medo, desempregado e ao mesmo tempo me empregando em locais que não conseguia permanecer e que era demitido. Aleatoriamente, entrei nessa live, durante uma crise de ansiedade. Eu assisti à exposição do corpo do Carlo [em Assis] e eu me encantei. Como pode um jovem incorrupto, da minha idade? Procurei a história dele e o conheci. Pedi intercessão dele em minha vida. Minha ansiedade foi embora, eu consegui retornar para a pastoral da comunicação, consegui evangelizar os jovens pelas redes sociais, trazer as pessoas para igreja e, além de tudo, me converter”, relatou o jovem.

Bênção ao espaço que levará o nome de São Carlo Acutis, no Feitosa. Suzana Lima/ Pascom Arquidiocesana
Bênção ao espaço que levará o nome de São Carlo Acutis, no Feitosa. Suzana Lima/ Pascom Arquidiocesana

São Carlo Acutis

Durante o processo de santificação, iniciado em 2013, Carlo Acutis foi considerado servo de Deus, venerável (2018) e beato (2020).

Em 14 de novembro de 2019, o Vaticano se manifestou positivamente para um milagre atribuído a Carlo Acutis que faria o processo avançar para a canonização.

E esse milagre veio do Brasil, diretamente de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Trata-se da cura de uma grave e rara doença congênita no pâncreas que acometeu Matheus Viana, quando ele tinha 2 anos de idade.

O destino de Matheus sofreu uma reviravolta quando, em 2013, o Padre Marcelo Tenório, da Paróquia São Sebastião, trouxe da Itália um pedaço de uma camiseta que teria pertencido a Carlo Acutis.

Um certo dia daquele ano, o sacerdote pediu que os fiéis fizessem um pedido de milagre.

O brasileiro estendeu os braços e tocou na relíquia trazida pelo padre. Na ocasião, pediu a Acutis para parar de vomitar, especialmente ao se alimentar de comidas sólidas.

Os dias se passaram e a criança teve uma melhora significativa no quadro de saúde. Por isso, os familiares solicitaram novos exames, que não mostraram nenhum sinal da doença, fato que teria surpreendido até os médicos.

Há ainda outro milagre atribuído ao jovem italiano. A cura de uma costarriquenha de 21 anos chamada Valeria Valverde. Ela ficou em coma depois de um acidente com uma bicicleta em Florença, na Itália. A família peregrinou até Assis e rezou diante do túmulo de Acutis, então beato. Lá deixou um bilhete. No dia seguinte, ela começou a movimentar os braços e a recuperar a fala.