Arquidiocese de Maceió encerra o mês de outubro com Jubileu da Juventude e das Vocações no DNJ

Um encontro marcado pela fé, entusiasmo e esperança destacam uma geração que segue construindo novos caminhos na Igreja.
Por Carolina Azevedo | Jornalista

(Fotos do Jubileu da Juventude e Vocações – Fotos: Carlos Wilker | Pascom Arquidiocesana)

 

Um domingo de encontros e reencontros onde os olhares para o passado — que coroa uma trajetória — e o futuro que se anima em renovação foram os pontos altos do Dia Nacional da Juventude (DNJ), celebrado dia 26 de outubro em Maceió. Na ocasião, a comemoração era motivada por duas razões: a juventude e o trabalho de animação vocacional, especialmente próprio dessa época. E quanta responsabilidade, não é mesmo?

Seja você um jovem de hoje, ou um “jovem de ontem” como veremos a seguir, com certeza deve concordar que “decidir o destino do resto da vida” de uma forma acertada e definitiva, é uma decisão e tanto, não é mesmo? Em paralelo, imagine também que tamanha é a responsabilidade daqueles que, uma vez discernidos, se colocam no pastoreio das ovelhas que ainda estão aprendendo a se orientar. É movido por esse espírito que o Setor da Juventude e o Serviço de Animação Vocacional (SAV) realizam seu trabalho pastoral e promovem juntos o DNJ.

Ano após ano, o mês de outubro é marcado em todo Brasil com a celebração do DNJ — Dia Nacional da Juventude, criado no ano de 1985 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Tradicionalmente, desde sua idealização, o DNJ deve acontecer no quarto domingo do mês de outubro e assim foi feito na Arquidiocese de Maceió, unindo a data a oportuna celebração jubilar de 2025 da juventude como parte atuante e especial da igreja e do Serviço de Animação Vocacional (SAV), promovido por diversas ordens e comunidades ao longo da peregrinação esperançosa da Igreja local.

A respeito disso, o arcebispo Dom Beto Breis, OFM, manifesta sua alegria em poder comemorar a data com tamanho entusiasmo e engajamento dos envolvidos no evento:

“A gente fica muito feliz de ver que muitos jovens estão se sentindo igreja. A partir de uma experiência de fé, de encontro com Cristo, passam a ser igreja, a participar da caminhada da igreja. E o desafio primordial é de serem na sociedade lá, fermento, sal da terra, luz do mundo, presença firme do evangelho.

Porque são os jovens que, de fato, podem evangelizar os jovens. Têm a linguagem, conhecem os métodos, sabem dominar os meios de comunicação.

Então, eu fico feliz de ver que os jovens estão despertando. O grande desafio é passar disso. Não só que goste de eventos, mas que seja ali no dia a dia, na caminhada da sua comunidade, no seu grupo, na igreja, uma presença constante, solidificando, aprofundando a fé, e para serem de fato, como eu falei, lá fora na sociedade, contagiantes, uma alegria do Evangelho!”

Dom Beto destacou também a força transformadora dos jovens dentro da Igreja e o quanto essa presença renova a caminhada de fé:

“A juventude rejuvenesce toda a Igreja, né? A todos nós, nos interpela, nos convida. A gente percebe que os jovens hoje começam a redescobrir esse ser de Igreja, e isso é muito bom. Inclusive, muitos jovens que estão na Igreja hoje estão vindo de outras igrejas, que têm se afastado e tal, e começam a descobrir a alegria, mesmo com a sua missão na sociedade. Nós temos muita esperança. Olhar a juventude é olhar com alegria, com esperança. Os jovens não são o futuro da Igreja. São o presente.”

Para o Arcebispo, o envolvimento dos jovens nas pastorais e movimentos é sinal de uma Igreja viva, mas ainda há desafios a serem enfrentados — especialmente quando se trata de unir as diversas expressões juvenis em torno de uma caminhada comum.

“O Setor Juventude tem uma tarefa muito árdua, que é unir, somar as diversas expressões de juventude na Arquidiocese. Às vezes o movimento tem um pouquinho a tendência de uma autorreferencialidade. Você tem o encontro do grupo tal, do movimento tal, todos eles vêm. Mas quando é de toda a juventude da Arquidiocese, aí vem uma representação para desencargo de consciência.”

Entre os muitos rostos presentes no Dia Nacional da Juventude 2025 em Maceió, o de André Albuquerque, secretário do Setor Juventude e membro do EJC, carrega a experiência de mais de uma década de caminhada na Igreja. Para ele, o encontro com os jovens é também um reencontro com sua própria história de fé:

“A minha caminhada, especialmente no EJC, começou em 2014, que foi quando realmente eu passei a ter um engajamento na Igreja. Faz 11 anos. E o que me alegra muito é ver que nós tínhamos uma geração de juventude, uma juventude que está também numa transição da vida, mas o mais importante é a gente chegar hoje nesse espaço, nesse DNJ, e ver tantos jovens que estão iniciando a sua caminhada e saber que tudo o que a gente fez vai continuar, porque é obra do Espírito Santo.”

Atuando também no Setor Juventude, ele destaca os desafios e a maturidade crescente dos jovens na fé:

“Os movimentos são uma porta de entrada. O aprofundamento vem depois, com a formação e a vivência da fé. Hoje vejo uma juventude mais consciente, buscando missa, Eucaristia, formação. É um processo lento, mas com a força do Espírito Santo está acontecendo.”

Com a palavra, os jovens!

Criada em uma família profundamente ligada à Igreja, Camila Santos cresceu cercada pela fé e hoje coordena o grupo jovem Filhos da Imaculada, no Benedito Bentes. Para ela, a caminhada é também um amadurecimento pessoal e espiritual.

“Nasci em berço católico e desde criança estou acostumada com a vida na Igreja. Mas, depois de participar de encontros como o DNJ e o Pentecostes, comecei a sentir essa vontade de buscar a Deus por mim mesma. Antes eu ia com meus pais, hoje venho sozinha e é muito gratificante perceber que eles me educaram tão bem na fé, que agora sigo com autonomia e alegria.”

À frente da coordenação, Camila encara o desafio de liderar sem perder o vínculo de amizade com os jovens.

“A parte mais difícil é saber falar como coordenadora e não como amiga, porque criamos laços muito fortes. Às vezes, quando preciso cobrar, é complicado. Mas graças a Deus tenho ao meu lado o Thiago, o Marcos, o Pedro e o Edson, que me ajudam e me dão força. Nunca me sinto sozinha nessa missão.”

De Marechal Deodoro, Ladilson Lopes encontrou na Igreja o caminho para amadurecer na fé e servir à comunidade. Ele começou a participar aos 14 anos, quando iniciou a preparação para a Crisma, e desde então não parou mais.

“Comecei a ir para a Igreja por conta própria com 14 anos, quando fiz a Crisma. Nesse período, conheci a Juventude Missionária e, depois de um ano, já estava crismado e participando cada vez mais dos grupos.”

Hoje, ele é catequista, acólito e assessor da base da Juventude Missionária na comunidade da Massagueira, onde também acompanha outros jovens em suas caminhadas. Para Ladilson, o maior desafio está em ajudar os jovens a colocarem Deus no centro das prioridades:

“Acho que o ponto de maior dificuldade na caminhada do jovem é a prioridade. Muitos acabam colocando as coisas do mundo na frente — festas, shows, relacionamentos — e deixam a missa e a oração de lado. O desafio é mostrar que o verdadeiro sentido da vida está em Cristo.”

Os desafios e impulsos de um amor consciente

Entre os discernidos “jovens de ontem” — expressão que se remete aqueles que já passaram pelas primeiras euforias da juventude — está Túlio Pereira, ainda jovem e seminarista em formação já no segundo ano de teologia.

Túlio é atualmente um dos promotores vocacionais do seminário e tem seu serviço pastoral voltado para o acompanhamento dos aspirantes à caminhada sacerdotal. Com notável alegria, ele partilha um pouco do seu testemunho e da satisfação de ter se encontrado num amor que tudo exige e tudo responde:

“A minha vocação surgiu ainda na infância. Minha avó dizia que eu seria padre, embora eu nem lembrasse disso. Nunca fui de brincar de missa, foi algo que aconteceu de forma muito natural. Sempre gostei muito de estudar, e isso também ajudou a despertar esse desejo de servir.”

Ele reflete ainda sobre a importância da escolha e deixa um conselho aos jovens vocacionados:

“O jovem de hoje vive muitas incertezas, quer ser várias coisas ao mesmo tempo. Mas não dá para ser tudo. É preciso escolher — e uma vocação bem escolhida é uma vida feliz. Escolher é arriscar o novo de Deus. Quando você olha para si e percebe o brilho nos olhos, é sinal de que está no caminho certo.

O atual reitor do Seminário Nossa Senhora da Assunção, Padre Márcio Nunes, também nos conta como tem sido sua experiência de pastorear o “berço central das vocações” na Igreja Católica em Maceió:

“Os jovens que chegam ao seminário são marcados pela generosidade, pela boa vontade e pelo entusiasmo. Vivemos um tempo muito influenciado pela emoção e pela paixão em servir a Cristo, e tudo isso é muito bem acolhido no seminário — embora precise ser bem orientado. Hoje enfrentamos também desafios próprios dessa geração, como a dependência das redes sociais e a busca constante por divulgar mais do que viver as experiências. Mas, com paciência e acompanhamento, tudo isso vai sendo moldado ao longo do processo formativo.”

“O tempo do seminário é uma oportunidade preciosa para o jovem amadurecer e configurar sua vida a Jesus Cristo. É um período de oração, estudo e crescimento humano e espiritual. Eu vejo com muito bons olhos essa juventude generosa, cheia de boa vontade e de desejo sincero de seguir a vontade de Deus. É bonito ver tantos jovens que se entregam com entusiasmo e querem servir, fazendo a diferença na Igreja e no mundo.”

“Dedicação à juventude, nossa maior alegria!”

A frase da Madre Agathe Verhelle, fundadora da Rede Damas, era o detalhe sutil escondido em uma escadaria ao lado do colorido mural para fotos onde muitos jovem eternizaram seus registros durante todo o dia com inúmeras fotografias.

Ela nos lembra que os colégios também têm papel fundamental na formação da juventude, unindo educação e fé para transformar vidas. No colégio que sediou o DNJ, a presença das religiosas reforçou esse compromisso. A Irmã Eliane Barros resume essa missão como uma entrega total a Deus e aos jovens:

“Trabalhar com os jovens é a nossa missão. Nossa fundadora sempre dizia que deveríamos nos entregar a Deus e sacrificar a nossa vida pela juventude. E isso não se resume a dar palestras ou organizar atividades — é algo que está presente em tudo o que fazemos, desde as menores tarefas até as maiores ações. Cada gesto é uma forma de oferecer esse sacrifício a Deus, para que os jovens possam encontrá-Lo e para que Ele seja cada vez mais conhecido e amado no coração da juventude.”

 

Entre as instituições que marcam a trajetória de fé e formação em Maceió, o grupo Marista também se destaca pelo compromisso com a educação integral e com o desenvolvimento humano e espiritual dos jovens. O Irmão Gerson, que há décadas atua na missão educativa marista, fala com entusiasmo sobre o papel da juventude e a esperança que ela representa:

“Cada época tem seus desafios, mas eu sou encantado com a juventude. O padre Champagnat, quando fundou a congregação, já pensava no jovem, e é esse ideal que seguimos até hoje. A instituição marista trabalha com a criança e o jovem por meio da educação integral, formando pessoas para a vida. Às vezes duvidamos do potencial dessa geração, mas o tempo mostra o contrário.”

“Já estou com 68 anos e vejo muitos ex-alunos que, lá atrás, pareciam perdidos e hoje são grandes cidadãos. O Marista realiza um trabalho fantástico, tanto nos colégios particulares quanto nas escolas sociais — são mais de 5 mil estudantes, com resultados acadêmicos e humanos admiráveis. Essa juventude, que muitos julgam desinteressada, está, na verdade, construindo um país diferente. É um orgulho imenso poder contribuir com essa formação e continuar acreditando no potencial transformador dos jovens.”

A passagem de bastão com esperança no peregrinar

O Jubileu da Juventude e das Vocações também marcou uma importante transição: a entrega da Assessoria da Juventude da Arquidiocese de Maceió do então assessor Padre Guido para o Padre Diego Barros, vizinhos de paróquia no bairro do Feitosa.

“Foi um grande desafio, mas também uma demonstração de muita confiança do arcebispo para comigo, neste caminho de esperança ao longo de 2025. Já trabalhei com o EJC na diocese e agora essa missão se amplia, para que possamos cuidar de toda a juventude. Tenho muita esperança em Deus e em Nossa Senhora, que certamente me ajudarão a conduzir esses jovens no caminho da santidade. Que o Senhor e a Virgem Maria nos orientem nesse percurso de discernimento e crescimento espiritual, para que possamos servir e amar a Deus cada vez mais na Sua Santa Igreja.”, comemora Padre Diego.

Recém-ordenado quando recebeu a missão de acompanhar a juventude da Arquidiocese de Maceió, o padre Guido sempre demonstrou coragem e zelo pastoral. Após quase vinte anos de caminhada na Comunidade Shalom, ele chegou a Alagoas trazendo uma fé amadurecida pelas experiências da infância missionária e pela devoção a Nossa Senhora e Santa Teresinha — marcas profundas de sua vocação.

Desde então, dividiu-se entre a fundação de uma nova paróquia e o trabalho direto com os jovens, tornando-se referência para muitos que reencontraram na Igreja um espaço de esperança e pertencimento.

Hoje, ao encerrar esse ciclo, o padre Guido fala com serenidade sobre a transição na Pastoral da Juventude:

“Depois de quase oito anos nessa missão, estou finalizando uma etapa da minha vida sacerdotal e entregando a juventude nas mãos do padre Diego, que assume agora como assessor arquidiocesano. Vejo esse momento como um sinal bonito de Deus: vivemos o Ano Jubilar, o Ano da Esperança, e é nesse tempo que passo o cuidado dos jovens a outro padre, sabendo que o coração deles está cheio de esperança, porque a esperança é Jesus. Além disso, temos a canonização de dois jovens santos, o que para mim sela esse trabalho. Não poderia haver oportunidade melhor. É uma alegria ter feito parte desse projeto de Deus na vida de tantos jovens que hoje se fortalecem na fé e no amor à Igreja.”