“Cristo é, por excelência, o servo sofredor”: no Domingo de Ramos, Dom Beto reflete a entrega e humildade de Jesus

Por Mariane Rodrigues | Pascom Arquidiocesana

 

(Fotos: Thiago Aquino e Livian Pascoal – Pascom Arquidiocesana)

No Domingo de Ramos, celebrado neste dia 29 de março, a Igreja recorda a recepção festiva que Jesus recebeu em Jerusalém. Montado em um jumento, acompanhado por seus apóstolos e sob o chacoalhar de ramos de árvores, Cristo foi recebido como Rei. Mas ali foi também o seu chamado para uma semana de entrega, humildade, rejeição, humilhação, compaixão e exemplo de amor à humanidade. Foi sobre essas características de Jesus que o arcebispo metropolitano, Dom Beto Breis, refletiu com os fiéis que lotaram a Catedral Metropolitana na manhã desse domingo, em uma homilia profunda sobre a trajetória de Cristo na maior semana do calendário litúrgico.

“Cristo é, por excelência, o servo sofredor: rejeitado, desprezado, humilhado. Não afastou seu rosto das bofetadas e humilhações, mas nos salvou descendo [até nós]”, explanou Dom Beto Breis.

O metropolita afirma que o Domingo de Ramos é como um pórtico, “o portal dessa Semana Santa por excelência”, o momento em que se celebram os mistérios que salvam a todos.

Na programação da Catedral Metropolitana de Maceió, os fiéis saíram em procissão da Paróquia São Gonçalo, no bairro do Farol, e seguiram com seus ramos em mãos até a Catedral Nossa Senhora dos Prazeres, no Centro. Antes da procissão, houve uma das proclamações do Evangelho, com o relato do apóstolo Mateus, que descreveu a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Na catedral, em uma segunda proclamação do Evangelho, os relatos trataram da Paixão e Morte de Nosso Senhor.

“A Igreja de Jerusalém, neste domingo, celebrava a memória da entrada de Jesus, mas a Igreja de Roma, neste domingo de abertura da Semana Santa, já celebra a Paixão do Senhor. Por isso, ‘Domingo da Paixão’. Unimos as duas tradições”, explicou o arcebispo.
Dom Beto Breis lembra que o Domingo de Ramos é um dia muito mais que propício para rezar. Ele cita o texto de Isaías, do Antigo Testamento, considerado o quarto mais importante “Cântico do Servo Sofredor”, em que já se registrava a vinda de um salvador cuja salvação se basearia em dor, sofrimento e redenção.

“Os discípulos, no início, tiveram dificuldade de entender o mistério da Paixão do Senhor, e esses relatos do servo sofredor — daquele que salva a partir da dor, do sofrimento, da humildade — ajudaram a comunidade a compreender o mistério da cruz”, explicou o metropolita.
Dom Beto cita também o texto da segunda leitura, chamado “Hino Cristológico”. É a carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, em que exorta, com urgência, que aquele povo tenha entre si os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, deixando de lado qualquer sensação de divisão, ciúmes, competições ou vanglória.

“Jesus tinha condição divina. Ele é Deus, igual a Deus, mas não se apegou, não se agarrou ciosamente. Pelo contrário, humilhou-se, esvaziou-se de si mesmo, de todo poder, onipotência e grandeza, e assumiu a condição de servo”, enfatizou Dom Beto Breis.
O arcebispo pediu aos fiéis que não vivenciem a Semana Santa apenas como um costume. “Ela deve ser a Semana Maior”, salientou. Lembrou ainda aos turistas presentes que, mesmo enquanto aproveitam o tempo para passear e se divertir nesse período de feriado, não deixem de rezar e celebrar os dias santos, especialmente no Tríduo Pascal.

“Não percamos nenhuma dessas celebrações. É o ponto mais alto da liturgia da Igreja. Confesso que me incomoda quando as pessoas perguntam se é obrigatório ir à missa, se é preceito. É mais que preceito: é privilégio, é graça, é oportunidade. Quando se ama alguém, não se calcula o tempo que se quer estar ao lado da pessoa amada. E vamos acompanhar nosso Amado Jesus na sua entrega, na sua doação total, no seu suplício e morte, mas também, sobretudo, na sua vitória. E vamos poder dizer, no sábado, com muita alegria: Ele está no meio de nós”, refletiu o arcebispo metropolitano.

Para Maria Quitéria Laurentino da Silva, da Paróquia Nossa Senhora das Dores, no Jacintinho, a Semana Santa é um momento ainda mais propício para o perdão e o recolhimento. “Temos que aproveitar essa oportunidade de nos recolhermos para o Senhor Jesus, pedir força e sabedoria, porque, às vezes, na nossa caminhada, a gente fraqueja. Então, para mim, está sendo muito bom. Cada celebração, para mim, é uma renovação”, relata ela, que participou da procissão e da Santa Missa.