Por Mariane Rodrigues | Pascom Arquidiocesana
Arcebispo destacou a vocação sacerdotal como entrega total, à luz da cruz e da Eucaristia

Na Quinta-Feira Santa (2), o clero da Arquidiocese de Maceió se reuniu para renovar as suas promessas sacerdotais na Catedral Metropolitana de Maceió, durante a Santa Missa do Crisma, conhecida também como a Missa da Unidade. Na mesma celebração, presidida pelo arcebispo metropolitano Dom Beto Breis, o metropolita abençoou os santos óleos que serão usados ao longo do ano pelas paróquias para os sacramentos do batismo, da crisma e da unção dos enfermos.

A programação do dia começou com uma concentração na sede do Cursilhos da Arquidiocese de Maceió, localizada no bairro do Farol. Em seguida, os sacerdotes dessa circunscrição saíram em procissão com Dom Beto Breis, ao som da Banda da Polícia Militar. Eles caminharam em direção à Catedral Metropolitana de Maceió, no Centro, onde ocorreu a Santa Missa.

Durante a homilia, Dom Beto Breis citou o Evangelho de São Lucas, quando o evangelista registra a passagem na sinagoga, onde todos os presentes fixavam os olhos em Jesus. Assim como aconteceu na sinagoga, o metropolita afirma que a Semana Santa é um convite para admirar e olhar de perto a partir dos olhos e do coração de Jesus. “Esse é o grande e persistente convite feito a cada um de nós: ter os olhos fixos em Jesus.”

Na Arquidiocese de Maceió, a Missa do Crisma é a última antes da abertura do Tríduo Pascal, que acontece na noite de Quinta-Feira Santa, com a Missa da Santa Ceia do Senhor. É na Missa da Santa Ceia do Senhor que se repete o ato de humildade de Jesus ao lavar os pés dos apóstolos e também quando se instituem a Eucaristia e o sacerdócio. “Eucaristia e sacerdócio fazem parte, portanto, do mesmo mistério”, ressalta Dom Beto.
Para Dom Beto, renovar as promessas sacerdotais é renovar o sacrifício da redenção humana; é servir aos fiéis o “banquete da Páscoa”.

“Sabemos que o sacerdócio de Jesus é qualitativamente novo, diferente do sacerdócio do templo. Ele não oferece alguma coisa. A vida de Jesus é um ofertório, uma oferenda, um autossacrifício e, sobretudo, no altar do sacrifício definitivo da cruz”, recorda Dom Beto.
E é por isso, enfatiza o metropolita, que ser sacerdote é se empenhar, todos os dias, para alimentar no coração os “sentimentos do coração Daquele que foi transpassado e que nos amou até o fim”.

Dom Beto Breis lembra que 2026 é o Ano Jubilar Franciscano, quando se celebram os 800 anos do trânsito da morte de São Francisco de Assis. O santo é citado como exemplo de inspiração nesses dias de Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
“Até os 23 anos de idade, o jovem Francisco Bernardone tinha o sonho de ascensão: queria subir na vida. Vai lutar na guerra para receber o título de nobreza. Mas a doença e, sobretudo, o encontro com um leproso o fazem encontrar o Filho de Deus, que humildemente se fez pobre e crucificado. E essa descoberta gerou uma mudança radical em Francisco de Assis”, contextualiza Dom Beto.

Ele expôs a história de São Francisco de Assis, quando o franciscano já havia se transformado em seu interior e coração e passou o dia em uma pequena e abandonada igreja de São Damião. O santo entrou para rezar, ajoelhou-se e se curvou devotamente diante do crucifixo. “Podemos dizer: teve os olhos fixos, olhou o Traspassado. E, tocado por uma sensação insólita, sentiu-se transformado”, recordou o metropolita, continuando: “E ali, como dizia o texto, os lábios de Cristo como que se mexeram, e ele ouviu de Cristo aquele convite vocacional: ‘Francisco, restaura a minha Igreja’.”
Mas Dom Beto ressalta que, a princípio, São Francisco pensava que se tratava da pequena igreja abandonada e em ruínas de São Damião. Somente tempos depois, no dia de São Matias, quando ele ouviu o Evangelho de que Jesus enviou 72 discípulos, ele pulou de alegria e disse: “É isso que eu quero, é isso que eu procuro e é isso que eu vou fazer.”

“Ali ficou claro para Francisco que não se tratava apenas daquela igrejinha outrora usada pelos monges até o século XI, mas da Igreja, povo de Deus, Corpo Místico de Cristo. E se pôs a partir em missão”, relatou Dom Beto durante a homilia.
A partir desse momento, conta o metropolita, São Francisco passou a ser dominado por uma paixão pelo Crucificado. “Podemos dizer que, piedosamente, os estigmas da Paixão de Cristo ficaram gravados nele desde aquele momento.”
Dom Beto também mencionou que São Francisco de Assis, depois do sermão aos pássaros, abençoou-os e fez o sinal da cruz. Em seguida, as aves saíram em quatro direções — norte, sul, leste e oeste — em formato de cruz.
“Essa é uma metáfora do que deve ser a nossa vida: partir de Cristo crucificado para, nos quatro cantos, em todos os lugares, anunciarmos e testemunharmos o seu amor. O amor de quem não é amado, mas que nunca deixa de amar, amando incondicionalmente”, pontuou o arcebispo.

Dom Beto pediu, na homilia, que os sacerdotes tomem “a forma mais estreita de Jesus”, que renunciem a si mesmos e confirmem os compromissos assumidos com a Igreja.
“É a partir de Cristo que encontramos não somente o anúncio primordial da nossa missão, mas também a força para enfrentarmos as nossas cruzes. Como Francisco, conformados a Cristo, proclamemos a todos os cantos — como a cruz aponta para os quatro cantos — que o amor não é amado. Amemos, e amemos com jeito, e à medida sem medida de Jesus”, explanou Dom Beto Breis.
Orações aos sacerdotes em crise
O Papa Leão dedica este mês de abril às orações pelos sacerdotes em crise vocacional. Durante a homilia, Dom Beto Breis foi ao encontro do Santo Padre com a mesma mensagem e pedido. Ele lembrou que até o apóstolo Pedro teve seu momento de crise, principalmente na quinta-feira que antecedeu a crucificação de Cristo.

“A palavra ‘crise’ é carregada de pessimismos. Mas, na sua raiz, no verbo grego, ‘crise’ tem um significado belo, profundo e indispensável: quer dizer purificar, desembaraçar. Foi numa noite de quinta-feira que, até então autossuficiente, achando que iria salvar Jesus, Pedro disse: ‘Nós não vamos deixar Jesus’. Jesus olha para Pedro carinhosamente e o chama duas vezes: ‘Pedro, Pedro, você será peneirado, sacudido. Eu vou rezar por você. Eu rogarei por ti para que não desfaleças’.”
Com essa passagem da vida de Cristo e de Pedro, Dom Beto Breis destaca que o primeiro a rezar pelos sacerdotes foi o próprio Jesus.
“Às vezes, numa situação de crise, descobrimos, como numa peneira, o que é essencial. A crise faz bem. Por isso, precisamos rezar na crise, contar com suporte, com as orações e a proximidade do povo de Deus e, ao mesmo tempo, saber que o próprio Jesus, nosso amigo, reza por nós, como rezou por Pedro, para que ele não desfalecesse naquela primeira quinta-feira”, reforça o metropolita.
O arcebispo agradeceu ao clero pelo serviço prestado em suas paróquias e na Arquidiocese. “Hoje é dia também de dizer, de coração, obrigado.”
Em seguida, ele finalizou: “E hoje, chegando às vossas paróquias e comunidades, levem o meu abraço e a certeza da minha comunhão nesses dias especiais.”
